Abaixo do radar

Brenno Grillo
Publicada em 07/07/2024 às 06:00
Fontes do MPF afirmam que o comportamento é proposital, para evitar interferências ou críticas. Foto: Antonio Augusto/TSE

A Procuradoria-Geral da República sob a batuta de Paulo Gonet Branco tenta ficar abaixo do radar. A ideia é destoar da apatia conveniente da gestão Augusto Aras, sem ofender a política, como fez Raquel Dodge, ou ficar lançando flechas de bambu, como aconteceu com Rodrigo Janot.

Fontes do Ministério Público Federal afirmam que esse comportamento é proposital, para trabalhar sem interferências ou críticas. Essa atuação já era esperada, pois espelha o perfil de Gonet, sempre discreto por onde passa. Fala apenas quando precisa. E tem dado resultados internos, porque pacificou os ânimos e as muitas vaidades de procuradores e subprocuradores da República.

Chegando ao sétimo mês à frente da PGR, Gonet tem como metas colocar o órgão na proteção da primeira infância e no combate ao crime organizado. Cristão e conservador, é natural que o procurador-geral proteja as crianças. Sobre o enfrentamento a quadrilhas, Gonet entende que é preciso haver atuação integrada com os ministérios públicos estaduais.

Mas fontes do MPF destacam que essa união nacional contra o crime será difícil. Sobra vontade por protagonismo nos estados e na União, enquanto falta estrutura na esfera federal - em partes pelo arcabouço fiscal, que limita o orçamento da PGR, já bem comprometido para pagar adicionais a seus integrantes, que consideram (sem razão) os salários aquém do que mereciam.

A paz não é uma opção

Até agora, Gonet comprou algumas brigas, mas não todas. Uma delas foi contra Dias Toffoli, no processo em que o ministro do Supremo Tribunal Federal ignorou fatos e leis para salvar empresas que confessaram crimes no passado.

Gonet pediu que Toffoli anulasse a suspensão que impôs ao acordo de leniência da Odebrecht. Disse em fevereiro não haver qualquer prova que justifique a paralisação dos pagamentos estimados em 8,5 bilhões de reais. No mesmo mês, ensinou o ministro que a decisão que livrou Marcelo Odebrecht da Justiça foi um ato “prematuro” e “descabido”. 

O mesmo valeu para a J&F. Dias antes da manifestação contrária à Odebrecht, Gonet já havia puxado a orelha de Toffoli por conta da suspensão dos pagamentos da leniência que ultrapassa 10 bilhões de reais. Afirmou que o acordo da holding de Joesley e Wesley Batista nada tem a ver com a operação Lava Jato, mas, sim, com a operação Greenfield.

Uma briga que Gonet ainda enfrentará envolve o bolsonarismo. As múltiplas ações e investigações envolvendo Jair Bolsonaro, a família do ex-presidente, além de aliados, poderá causar ruídos. É bem verdade que líderes bolsonaristas insuflaram seus eleitores a aterrorizar os Três Poderes em 8 de Janeiro para manterem-se no poder. Porém, também não se pode ignorar que a condução dos casos por Alexandre de Moraes afronta - e muito - o Direito.

Gonet não poderá deixar de denunciar muitos bolsonaristas, sejam eles do baixo clero ou da cúpula. Mas o procurador-geral também deverá se atentar ao que manda a lei - o que Alexandre de Moraes ignora volta e meia - para que as condenações surtam efeito. Quando chegar a hora, o que não tardará, o PGR precisará se equilibrar entre a lei e seus aliados, principalmente Gilmar Mendes e o próprio Moraes, que são alguns dos alvos preferidos de Bolsonaro e seus asseclas.

Uma prévia disso já aconteceu, na operação contra Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), por conta da Abin Paralela que existiu durante a gestão de Jair. No parecer em que concordou a investigação, Gonet afirmou que não haver razão suficiente para a Polícia Federal visitar Priscilla Pereira e Silva, assessora de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin de Bolsonaro e deputado federal pelo PL, também alvo da investigação.

Escolhido por eliminação

O Bastidor já mostrou que Lula e o PT preferiam manter Augusto Aras na PGR pelos mesmos motivos que levaram Bolsonaro a escolhê-lo: a mansidão em relação à política. Dentro do Partido dos Trabalhadores, a resistência a Gonet partiu, principalmente, de Gleisi Hoffmann, denunciada em 2016 pelo atual PGR, durante a Lava Jato.

De olho em enfrentar Lula em 2026, governador de Goiás espalha campanha que une segurança e negócios

Leia Mais

Fechem a torneira

19/07/2024 às 14:05

AGU pede ao STF suspensão do leilão da Sabesp por conflito de interesses e valor subestimado.

Leia Mais

Desempenho na segunda fase da venda das ações faz da privatização da estatal um sucesso

Leia Mais
Exclusivo

Um erro de 420 milhões

19/07/2024 às 06:00

Perda de prazo da PGFN dá à Dufry e ao advogado Sergio Bermudes precatório de quase meio bilhão.

Leia Mais

Defesa de Duque recorre ao ministro para evitar prisão por corrupção e lavagem na Petrobras.

Leia Mais

Por mim, libera

18/07/2024 às 19:50

Gonet diz que não é possível avaliar com calma a ação do PT contra a privatização da Sabesp.

Leia Mais

TSE muda de ideia e decide enviar observadores à eleição, o que evita um erro crasso do Brasil

Leia Mais

Expliquem-se

18/07/2024 às 09:07

Salomão pede que TJAL esclareça porque nomeou juízes já conhecidos na falência da Laginha.

Leia Mais

Alphabet foi condenada por concorrência desleal; Meta enfrenta ação bilionária por uso de dados.

Leia Mais

STF dá 24 horas para São Paulo justificar leilão da Sabesp; PT pediu liminar para suspender venda.

Leia Mais
Exclusivo

Gol da Alemanha

17/07/2024 às 19:09

Anac confirma que governo federal ressarcirá prejuízos da Fraport com o Aeroporto Salgado Filho.

Leia Mais

Juízes responsáveis pelo processo de falência da Usina Laginha decidiram que são aptos para o caso.

Leia Mais

Governo oculta dados de acordos da JBS e Marfrig com PGFN para renegociar dívidas com a União.

Leia Mais

Fraport fala que obras no aeroporto de Porto Alegre dependem de acordo com governo federal.


Leia Mais

Eduardo Braga quer alterar no Senado pontos da reforma tributária que foram acertados na Câmara

Leia Mais