Governo pretende usar lobista Max para atacar Renan

Diego Escosteguy
Publicada em 29/06/2021 às 17:37
Foto: Folhapress

Senadores da base do governo pretendem usar os rolos pretéritos do lobista Francisco Emerson Maximiano, o Max, para atacar e constranger o relator da CPI da Pandemia, Renan Calheiros. Max, pivô do caso Covaxin, deve depor quinta.

Como o Bastidor noticia desde fevereiro, antes da assinatura do contrato entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos, representante da indiana Bharat Biotech no Brasil, Max é conhecido no submundo de Brasília.

Apesar das revelações do Bastidor, muita gente na capital ainda não havia percebido que o lobista Max é investigado pela Polícia Federal no Supremo em virtude de esquema cuja chefia é atribuída a... Renan Calheiros. Por meio da sua Global Saúde e do fundo de participações em Saúde, o FIP Saúde, também ligado a ele, Max ajudou a desviar dinheiro dos Correios, do Postalis e da Petrobras nas gestões petistas.

O Ministério Público e a PF trabalham com a hipótese de que Max obteve êxito nos crimes porque atuou em parceria com o lobista Milton Lyra, associado a Renan e ao PMDB do Senado. Milton Lyra também é investigado nesse caso - as quebras de sigilos dos lobistas, obtidas pela reportagem, demonstram que eles mantiveram relações comerciais e financeiras no primeiro mandato de Dilma Rousseff. Max repassou, ao menos, R$ 7,5 milhões a Lyra, após a Global receber dinheiro do Postalis. (O investimento de R$ 40 milhões do fundo de pensão no FIP Saúde virou prejuízo. O FIP Saúde investia apenas na Global, de Max, que nunca deu retorno. E ficou por isso mesmo.)

Nas gestões petistas, o Postalis, fundo de pensão dos funcionários dos Correios, era dividido politicamente entre PT e PMDB. A operação de Max no Postalis, em parceria com Milton Lyra, aconteceu nesse período. De tão saqueado, o Postalis quebrou.

Naquele momento, Max mantinha relações próximas com sindicalistas do PT - chegou a pagar propina a um deles para obter contrato nos Correios, de acordo com uma delação dos envolvidos e sigilos fiscais analisados pelo Bastidor. Max vendia uma espécie de seguro de medicamentos.

Os mesmos sindicalistas, ligados ao então tesoureiro do PT, João Vaccari, detinham o comando do Postalis, em gestão compartilhada - e conflituosa - com o PMDB do Senado. Notadamente, Renan e Edison Lobão.

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