Um roteiro para investigar a Sputnik na CPI

Diego Escosteguy
Publicada em 27/04/2021 às 15:32
Ibaneis Rocha visita uma fábrica da União Química em Brasília. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Senadores da CPI da Pandemia pretendem convocar diretores e técnicos da Anvisa para entender por que a agência rejeitou o pedido de importação da vacina Sputnik feito por governadores. Se querem mesmo entender o caso, no entanto, os integrantes da comissão precisam ampliar - e muito - o rol de testemunhas.

Será necessário ouvir os governadores, secretários e gestores do Consórcio Nordeste para averiguar como se deram as tratativas entre eles e os representantes da União Química, empresa responsável pela venda do imunizante no Brasil. Cópias dos contratos e dos respectivos processos administrativos serão igualmente úteis. O mesmo vale para o Ministério da Saúde, que também fechou contrato com a União Química.

Os diretores da empresa, como Fernando Marques e o lobista Rogério Rosso, também são testemunhas-chave. Terão a oportunidade de jogar luz na relação da União Química com os congressistas. O governador de Brasília, Ibaneis Rocha, por sua vez, pode esclarecer de que modo sua administração colabora para incentivar o envase da Sputnik na capital da República.

Os cientistas contratados pela União Química para ajudar na fabricação da vacina têm condições de fornecer informações relevantes acerca da qualidade do imunizante que encontraram.

Os senadores podem, ainda, tornar públicos todos os dados enviados pela União Química à Anvisa e pedir a consultoria de cientistas e especialistas para compreender o que as informações revelam. Por fim, mas não só, podem pedir informações sobre a Sputnik à OMS e à EMA, a contraparte europeia da Anvisa. As duas entidades também tentam analisar o imunizante russo.

Trabalho, portanto, não falta.