Ex-mulher de Bolsonaro sabe muito, mas não deve falar

Publicada em 14/09/2021 às 11:00
Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

Ainda que convocada pela CPI da Pandemia, Ana Cristina Siqueira Valle, a segunda ex-mulher de Jair Bolsonaro, não deve falar o que sabe. Com frequência, Ana Cristina insinua a interlocutores querer falar, seja por meio de entrevistas, seja pela promessa (ou ameaça) de escrever um livro. Ela é alvo do Ministério Público no caso das rachadinhas.

Em mais de uma ocasião, ela disse que só dirá tudo o que sabe no caso de seu pai, José Procópio Valle, ou seu filho, Jair Renan, se virem em encrencas sem que Bolsonaro trabalhe para ajudá-los. Enquanto isso, ela mantém acesso ao presidente, acreditando em sua proteção.

A ex-mulher do presidente sabe como foi construído o patrimônio de Bolsonaro e, com seu trabalho, ajudou a construi-lo. Apesar de passados 14 anos desde a separação, ela mantém os contatos de todos amigos de Bolsonaro, como revelou a documentação sigilosa da CPI da Pandemia.

Segundo documentos remetidos pelo Ministério Público do Pará, Ana Cristina tentou influenciar na escolha do defensor público-geral da União por meio do então ministro da Secretaria Geral da Presidência da República e atual Ministro do TCU, Jorge Oliveira, aliado antigo da família, de quem seu pai foi assessor por mais de 30 anos.

Um amigo de décadas da família diz ao Bastidor que, quando Ana Cristina quer algo, liga a alguém próximo a Bolsonaro. Pede para falar com ele, que a atende na maioria das vezes – não sem se irritar.

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