Bolsonaro indica a aliados que substituirá Pazuello

Diego Escosteguy
Publicada em 21/02/2021 às 19:57
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O presidente Jair Bolsonaro indicou a aliados que pretende substituir Eduardo Pazuello. Interlocutores de Bolsonaro não sabem quem substituirá o ministro da Saúde caso o presidente exonere, de fato, o general. Em Brasília, nada é certo até sair no Diário Oficial - especialmente no governo Bolsonaro.

O ministro é unanimidade negativa em Brasília: todos os atores relevantes dos três Poderes, com exceção do presidente, querem há tempos a saída dele.

Na última semana, após as manifestações de governadores e prefeitos contra o ministro, a pressão política pela demissão de Pazuello ganhou força entre a cúpula do Congresso e até no Planalto. A incapacidade de comprar vacinas pesa imensamente. "O presidente entendeu que não tem como segurar mais Pazuello", diz um interlocutor qualificado de Bolsonaro.

Apesar do discurso negacionista, o presidente cobra Pazuello com cada vez mais intensidade desde o começo do ano. Com atraso, quer o máximo de vacinas o quanto antes.

Representantes de laboratórios com forte departamento de compliance, no entanto, relatam dificuldades ao negociar com a equipe atual do Ministério da Saúde. Na sexta, a pasta fechou contratos controversos com as empresas que vendem no Brasil as vacinas Sputnik e Covaxin - os dois imunizantes não foram sequer avaliados pela Anvisa ou outra agência sanitária de referência.

Sob pressão do Planalto no fim de semana, a equipe de Pazuello enviou um ofício hoje (domingo) à Presidência, em que pede ajuda para comprar as vacinas da Pfizer e da Johnson & Johnson. Num gesto extraordinário que reflete a temperatura do maçarico, o Ministério divulgou o teor do ofício.

O Bastidor antecipou que a vacina da Pfizer será a primeira a obter registro definitivo no Brasil. O imunizante da JJ deve receber aprovação para uso emergencial ainda em março, caso as negociações com o governo avancem.