Análise: o silêncio negacionista do Spotify

Publicada em 27/01/2022 às 11:00
Spotify fica em silêncio quando precisa responder perguntas difíceis Foto: Daren Inshape/Unsplash

Com o agravamento da pandemia e a polarização cada vez mais radical de discursos, as redes sociais e os respectivos algoritmos que usam passaram a ser criticados por quem defende a moderação de conteúdos falsos e que promovem a desinformação.

No rol de procedimentos para conter a desinformação generalizada algumas empresas como o Facebook, Google e Twitter adicionaram avisos de que as informações das postagens poderiam ser falsas. Em alguns casos, também excluíram dados e até contas. 

Numa ação sem precedentes, por exemplo, o Twitter expulsou o ex-presidente norte-americano, Donald Trump, da plataforma, depois de ele ter incitado os manifestantes que invadiram o Capitólio. Jair Bolsonaro e os filhos também já foram alvos de suspensões e exclusões de conteúdos.

Em geral, as sanções das plataformas são poucas e quase sempre burocráticas demais. As empresas consideram que a liberdade de expressão é um valor inegociável. Em outras palavras, você pode ser um idiota, pode ser capaz de falar uma estupidez e defendê-la em público. Mas quando isso gera uma onda de reclamações, elas se posicionam, marcam os conteúdos como duvidosos ou retiram do ar.

Enquanto algumas plataformas tentam desestabilizar a disseminação de conteúdos, outras agem como se nada de errado estivesse acontecendo. É o caso do Spotify, com o programa do comediante Joe Rogan, o mais bem avaliado da plataforma.

Rogan é conhecido no Brasil principalmente pelas entrevistas que faz depois das lutas no UFC. Nos Estados Unidos, o perfil dele vai além disso. O comediante é um crítico contumaz das vacinas contra a covid-19. Já disse publicamente que não se vacinou e costuma levar ao programa convidados que defendem esse ponto de vista.

Um dos casos recentes que ganhou repercussão internacional foi a entrevista com o médico Robert Malone. O profissional trabalhou em pesquisas nos anos 1980, que geraram a tecnologia da vacina da Pfizer. O estudo dele, embora inovador para a época, era muito incipiente comparado às pesquisas que se desenvolveram nos anos seguintes.

Mesmo assim, Malone ganhou os holofotes da mídia negacionista ao proclamar os riscos que a vacina da Pfizer traria. No Brasil, como O Bastidor mostrou, o médico virou um dos gurus dos movimentos antivacina.

A entrevista concedida a Rogan foi publicada também no YouTube. Na plataforma do Google, o conteúdo ficou menos de 24 horas no ar até ser sumariamente removido pelo site. Já no Spotify, a entrevista segue disponível na íntegra.

Na quarta-feira, 26, o músico Neil Young, que sobreviveu à poliomielite, enviou uma carta ao Spotify, dando ultimato à plataforma. Caso Rogan continue a ocupar espaço no aplicativo, ele quer a remoção imediata do próprio catálogo de músicas.

Em outros tempos, talvez a carta de Young fosse levada mais a sério. Agora, com números de reproduções menores do que artistas bem mais jovens, como a brasileira Anitta, o Spotify prefere ignorar o pedido do cantor, retirá-lo do ar e manter Rogan disponível.

Ainda assim, a atitude de Young joga luz aos conteúdos distribuídos por outras plataformas além das redes sociais e leva à discussão: até que ponto elas também devem ser cobradas pelos conteúdos que distribuem?

Rogan não é o único a espalhar conteúdos negacionistas na plataforma. No fim de 2021, o guitarrista Eric Clapton, outro notório nome contra a realidade cruel da pandemia, lançou dois singles ao lado de Van Morrisson, em que reclamam das agruras do coronavírus.

Na primeira música, "This Has Gotta Stop", os músicos reclamam, entre outras coisas, do lockdown imposto em vários países. Na segunda, questionam onde todos os “rebeldes” foram parar. Para eles, que não viram os massivos protestos de grupos como o Black Lives Matter, os revolucionários estão escondidos atrás de computadores. As duas músicas já foram reproduzidas mais de 1,6 milhão de vezes.

Tal como em redes sociais, o Spotify também trabalha com algoritmos, que oferecem aos usuários apenas aquilo que pode lhe interessar. Portanto, o mesmo risco de se viver em bolhas de conteúdos, como em outras redes, se aplica à plataforma de áudios. É pouco provável que o mundo sofra algum risco se um roqueiro não receber as últimas atualizações do K-Pop, mas a democracia e a saúde coletiva ficam fragilizados quando um ouvinte de Rogan desconhece opiniões contrárias.

O Spotify foi procurado para comentar a política de manter conteúdos negacionistas no ar, mas a plataforma não havia respondido o questionamento até a publicação deste texto.

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