A Copape, empresa de petróleo e gás natural suspeita de ter ligação com o PCC, contratou como advogado o sócio de um dos maiores escritórios do país. Trata-se de Fernando Hideo, um dos profissionais do Warde Advogados, de Walfrido Warde.

A empresa é alvo do Ministério Público de São Paulo e da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Desde julho do ano passado, por determinação da ANP, a Copape está impedida de exercer suas atividades após infringir regras na comercialização, no exercício da atividade e no armazenamento de combustível.

Desde então, a Copape tenta na Justiça afastar as suspeitas de ligação com o crime organizado e derrubar a decisão da ANP. Os advogados têm repetido que as acusações são baseadas numa campanha difamatória dos concorrentes. 

Como mostrou o Bastidor, a Copape está ligada direta ou indiretamente a cerca de 400 autos de infração da ANP e deve mais de 6 bilhões de reais à Receita Estadual de São Paulo, de acordo com registros da Secretaria de Fazenda do estado obtidos pela reportagem.

O Bastidor falou com três advogados nos últimos dias. Dois deles entraram em contradição quando mencionada a possível relação com a Copape. Foram os casos de Walfrido Warde e Ciro Soares, que atua na Bahia e em Brasília.

De acordo com Soares, há alguns meses foi procurado por Warde para que atuasse em favor da Copape em Brasília. À reportagem, Soares disse na quinta-feira (27) que, apesar de ser amigo de Warde, negou porque foi aconselhado a não entrar no caso. Ele não especificou em qual processo atuaria ou se seria um atendimento consultivo.

“Foi o Walfrido que me procurou juntamente com o escritório do doutor Mauro para mim [sic] atuar em um processo que estão numa disputa aí”, afirmou. “Walfrido é muito meu amigo… Ele [Walfrido] me procurou porque tem alguém do escritório dele [atuando para a Copape], mas ele [Walfrido] não está [formalmente no processo]. Eu não estou, não [no caso]. Isso aí [os imbróglios da Copape] está uma confusão desgramada. Quando eu fui consultar um outro colega, ele disse ‘não entra nesse trem, não’. Aí, eu não entrei. Não quero atuação, até porque não é a minha área. A minha área é direito comercial. Eu acho que o cara [da Copape] está sendo injustamente vinculado à facção [PCC]. Eu acho que isso é conversa”, disse Soares.

O Bastidor conversou com Warde na terça-feira (25) e com sua assessoria na quinta. Disse que não atua em qualquer processo da Copape, mas que não teria “nenhum óbice em representar essa empresa, que, segundo meu juízo e informações públicas, vem sendo injusta e estranhamente acusada de relação com o crime organizado”.

Por meio da assessoria, após ser questionado sobre as declarações de Soares, afirmou que nem o procurou e nem foi procurado para atuar em favor da Copape.

Procurado, Hideo, o sócio de Warde, disse que representa a Copape em algumas causas, mas sem relação com o escritório Warde Advogados.