O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu anular todos os atos da operação Lava Jato contra o ex-ministro José Dirceu. A decisão estendeu ao político petista o entendimento aplicado nos processos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que houve parcialidade do então juiz Sergio Moro, responsável pelos julgamentos dos casos em primeira instância.
Dirceu já foi um dos nomes mais fortes do PT e chegou a ser considerado possível sucessor de Lula dentro do partido, mas a derrocada veio quando o ex-metalúrgico ainda ocupava o Palácio do Planalto, inicialmente pelas acusações relacionadas ao escândalo do mensalão.
Na década passada, com o início das investigações sobre desvios na Petrobras, Dirceu foi apontado pelas autoridades e por parte dos delatores como um dos responsáveis pelo esquema que desviou dinheiro da petrolífera, para abastecer o caixa de partidos e políticos que davam sustentação aos mandatos petistas. Evidências bancárias, fiscais e telemáticas demonstraram que Dirceu recebia dinheiro de empresas e lobistas que ganhavam contratos no governo e em estatais como a Petrobras.
Para Gilmar Mendes, no entanto, a atuação de Moro e dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato impediu que Dirceu fosse julgado de forma imparcial. Por isso, o ministro afirma que os atos de Moro contra o ex-ministro devem ser anulados. Dessa forma, mesmo condenações que tenham sido confirmadas por tribunais superiores devem ser igualmente suspensas.
Desde a vitória eleitoral de Lula, Dirceu voltou a exercer influência em Brasília. Na capital, a anistia ao petista não foi surpresa para ninguém.

