A vez da PwC
A recuperação judicial das lojas Americanas colocou também a consultoria PwC na mira dos envolvidos no caso. Ao menos dois escritórios foram consultados sobre a possibilidade de buscar indenizações na Justiça, segundo apurou o Bastidor. Uma terceira banca, representando acionistas minoritários, acionou o Ministério Público Federal.
Muitos querem saber como a empresa de auditoria não detectou um rombo de mais de 20 bilhões de reais - que se tornaram R$ 40 bilhões - na contabilidade da rede de varejo. Já há conversas para acionar a PwC na Justiça, independente do motivo.
A sanha contra a PwC aumentou depois que foram divulgadas informações sobre a proximidade entre Jorge Paulo Lemann, um dos maiores acionistas das Americanas, e a companhia de auditoria, que tem quase 211 mil reais a receber da rede.
Um dos flancos que será usado envolverá condenações aplicadas à PwC. Nos últimos três anos, a companhia de auditoria foi punida no exterior ao menos duas vezes por erros em auditorias: uma em 2019, nos EUA, e outra no Canadá, em 2022.
No Canadá, a punição foi aplicada porque a PwC não seguiu procedimentos internos de compliance para treinar auditores. Segundo as autoridades canadenses, essa falta de rigor impediu a descoberta de um esquema envolvendo mais 1.200 funcionários.

Nos EUA, a PwC pagou 7,9 milhões do dólares para encerrar um processo na SEC, a CVM americana, por quebra de independência. Entre 2013 e 2016, auditores da empresa participaram de planejamentos fiscais e até tomaram decisões relacionadas a 16 clientes atendidos.
Há também uma terceira punição que afeta indiretamente a PwC. Um ex-sócio da sucursal da companhia no Brasil, Wander Rodrigues Teles, foi condenado pelo órgão submetido à CVM americana (SEC) que fiscaliza os auditores de balanços de empresa. Os motivos foram ignorar riscos financeiros ao elaborar relatórios pela PwC e omitir informações curriculares ao analisar balanços de empresas auditadas anteriormente.
A PwC pode sofrer mais uma punição, depois de quase 200 investidores pedirem indenização de 95 milhões de reais por suposta atuação “omissa” da empresa de auditoria no caso do Instituto de Resseguros do Brasil.
A briga é pra valer
Nesta quinta-feira (26), as Americanas pediram recuperação judicial nos Estados Unidos. O objetivo é impedir cobranças. Esse é o mote da briga entre a rede de varejo e os bancos Itaú, Safra, Santander, Nubank e BTG.
As instituições financeiras, credoras da rede de varejo, dizem que a empresa escondeu um rombo bilionário enquanto tentava sacar dinheiro depositado em contas administradas por esses bancos. As Americanas dizem que os bancos tentaram antecipar dívidas com base num rumor - depois comprovado - de erro contábil.
Apenas o BTG conseguiu receber valores devidos pela rede de varejo e impedir que a companhia sacasse montantes sob guarda da instituição financeira. O Santander aguarda decisão da Justiça; o Safra teve um pedido negado na terça-feira (24).
Mas os bancos não se deram por vencidos. Pediram a anulação do caso no dia 24 e pretendem ir atrás do patrimônio dos três principais acionistas da rede de varejo: Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles. Em paralelo, segundo apurou o Bastidor, continuarão tentando transferir o caso para São Paulo.
O processo tramita na 4ª Vara Empresarial do Rio, do juiz Paulo Assed Estefan, porque a sede da holding da empresa, a B2W, fica no Rio. Antes mesmo do pedido de recuperação judicial, Estefan blindou as Americanas de cobranças - a exceção foi o BTG. A decisão que prejudicou 8 mil credores foi reformada por Og Fernandes, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, corte onde o caso causou problemas antes mesmo de ser julgado.
Veja a íntegra das punições aplicadas à PwC e ao ex-sócio da auditoria no Brasil:
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