Operador de Arruda manobra para comandar meio bilhão da Fecomércio do DF

Publicada em 25/08/2021 às 14:27
Sérgio Lúcio Andrade, o operador de Arruda Foto: Site Fecomércio

Apontado como operador financeiro do ex-governador José Roberto Arruda no superfaturamento da construção do estádio Mané Garrincha, em Brasília, Sérgio Lúcio Andrade chegou a ser preso pela Polícia Federal. Ele foi delatado por um executivo da construtora Andrade Gutierrez e, na denúncia do Ministério Público Federal, foi qualificado como responsável por arrecadar sistematicamente propina das construtoras. Virou réu.

O processo criminal não impede que Sérgio presida hoje o Sindicato do Comércio Varejista de Automóveis. Não só. Agora, ele ludibriou um sindicalista para interferir nas eleições da Federação do Comércio do Distrito Federal, a Fecomércio, entidade que comanda o Sesc e o Senac e controla um caixa atual de aproximadamente meio bilhão de reais. 

Na semana passada, quatro presidentes de sindicatos, liderados pelo ex-operador de Arruda, conseguiram uma liminar para evitar que o empresário José Aparecido, eleito em março, tomasse posse na federação. Para isso, eles enganaram um presidente de sindicato, que assinou uma procuração sem saber do que se tratava. 

O grupo manipulou o presidente do Sindicato das Empresas em Bombeiro Civil, José Evânio. Embora ele tenha admitido que assinou uma procuração, informou que não deu autorização para que ela fosse usada para interferir nas eleições da Fecomércio. Em nota, ele afirmou que o grupo agiu de “modo inoportuno e ilegítimo diante da validade do resultado obtido nas urnas”. Por sinal, dos 27 sindicatos que escolheram o presidente da federação em março, 17 já se posicionaram contra a manobra dos quatro sindicalistas e a favor do resultado das urnas. 

O caso está no Tribunal Regional do Trabalho. Os juízes devem decidir nos próximos dias quem irá comandar a Fecomércio.