Sputnik: a opção nuclear do centrão contra a Anvisa

Diego Escosteguy
Publicada em 04/02/2021 às 17:31
Foto: Folhapress

Liderado por Ricardo Barros, o centrão, com apoio do Planalto, planeja uma medida provisória que, na prática, excluiria a Anvisa do processo de importação de qualquer vacina. O objetivo é assegurar que a União Química, parceira do governo russo no Brasil, possa fechar contratos de venda do imunizante com o governo federal e os governos estaduais.

Como noticiamos, o recuo da Anvisa ontem não resolve o problema da União Química. A farmacêutica não tem os documentos mínimos para pedir o uso emergencial na Anvisa. Há meses, os russos não liberam os dados tanto para a Anvisa quanto para a OMS - o Instituto Gamaleya, que formulou a vacina, tenta participar do Covax. Trata-se da iniciativa de distribuição mundial de vacinas liderada pela OMS.

Deputados e senadores do centrão, com a ajuda de advogados e lobistas, articulam um texto que permita a importação da Sputnik sem qualquer participação da Anvisa.

É um passo além ao plano anterior. Nele, a MP estabeleceria que a análise da Anvisa seria desnecessária caso uma agência sanitária associada à OPAS, Organização Pan-Americana da Saúde, tivesse aprovado o uso de uma vacina. A agência da Argentina encaixa-se nesse critério. E aprovou a Sputnik, embora sem analisar dados brutos dos estudos clínicos, entre outros pontos.

Ainda é incerto qual texto irá adiante, mas, entre os envolvidos, restam poucas dúvidas de que alguma mudança legislativa será necessária para aprovar a Sputnik.

Outra frente de ataque da coalizão pró-União Química inclui pressionar fortemente os diretores da Anvisa, por meio de declarações na imprensa e de ameaças veladas sobre a possibilidade de destitui-los - não se sabe de que maneira.