Sputnik: russos prometem, não enviam dados à OMS à Anvisa

Diego Escosteguy
Publicada em 02/02/2021 às 22:26
O governador de Brasília, Ibaneis Rocha, visita laboratório da União Química. Foto: Folhapress

Numa nova rodada de reuniões com cientistas da Organização Mundial de Saúde, representantes do Instituto Gamaleya não ofereceram - mais uma vez - os dados necessários para a análise dos técnicos da OMS. Como já noticiamos, a entidade teve que recusar, há dias, o pedido de pré-registro emergencial do imunizante.

A Anvisa está na mesma situação da OMS. No Brasil, apesar da aparente boa vontade dos representantes da União Química, os técnicos da agência não receberam os dados prometidos, que dependem de liberação dos russos.

Desde segunda da semana passada, os contatos da União Química com a Anvisa escassearam - os técnicos da agência receberam apenas um email na sexta, com informações incompletas.

A súbita lentidão da União Química nas tratativas coincide com a deflagração de uma operação de guerra em Brasília para tratorar as exigências legais e sanitárias da vacina por meio de um esforço coordenado de pressão política.

Apesar da espuma política e midiática, os fatos essenciais não mudaram: a Anvisa - assim como suas pares e a OMS - não receberam os dados mínimos para aprovar estudos de fase três ou avaliar o uso emergencial da Sputnik.

No Brasil, o alvissareiro estudo preliminar publicado hoje na Lancet, portanto, está sendo usado na opinião pública para emparedar a Anvisa e transformar uma decisão que deveria ser técnica e científica numa decisão política e jurídica.

A Sputnik é a vacina que une Flávio Bolsonaro, centrão, Ibaneis Rocha (governador de Brasília) e o lobista Rogério Rosso, hoje diretor da União Química.