A operação política para aprovar a vacina russa no Brasil

Diego Escosteguy
Publicada em 29/01/2021 às 18:28
O governador de Brasília, o advogado Ibaneis Rocha, em visita ao escritório da União Química na capital. Foto: Agif/Folhapress.

O laboratório União Química, parceiro no Brasil do governo Putin, montou uma operação de guerra em Brasília para aprovar o uso da vacina Sputnik e fechar um volume extraordinário de vendas ao governo federal, segundo fontes que participam desse esforço.

A operação é política e jurídica. Um time de advogados, lobistas e ex-deputados - liderado pelo ex-governador de Brasília Rogério Rosso e com o apoio do atual, Ibaneis Rocha - avança junto ao Planalto, ao Congresso e ao Supremo. Rosso é diretor da União Química.

Na frente do Executivo, a ofensiva já deu certo. O presidente Jair Bolsonaro foi convencido por seu filho Flávio de que a vacina russa é uma opção vantajosa para os estoques do governo - ironicamente, a Sputnik era, até a semana passada, um projeto liderado politicamente no Brasil pelo governador petista Rui Costa, da Bahia.

Como alertamos, a Sputnik preocupa técnicos e cientistas. É uma vacina que está em uso sem aprovação de uma autoridade sanitária séria. A OMS recusou até o pré-registro emergencial do imunizante, em razão da ausência de dados mínimos para analisar a segurança, a eficácia e a qualidade da vacina. A Anvisa foi obrigada a tomar decisão semelhante e explicou o processo de tomada de decisão ao Supremo, tribunal em que a União Química espera atropelar a agência.