A disputa local, em Alagoas, é uma das questões de fundo na crítica do presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira, ao relatório da CPI da Pandemia, entregue ao Supremo Tribunal Federal, à Procuradoria-Geral da República e ao Tribunal de Contas da União nos últimos dois dias.
Lira e o senador Renan Calheiros, o autor do relatório, são adversários no estado e disputam a sucessão do governador Renan Filho, que não pode disputar reeleição no ano que vem. O filho de Calheiros quer concorrer a vaga do Senado.
Para isso, Filho precisa se desincompatibilizar do cargo até abril.
Como não tem mais vice, que se elegeu prefeito e deixou o cargo no ano passado, assume, em sua ausência, o presidente da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Marcelo Victor, um aliado de Arthur Lira.
Victor, então, convoca eleição indireta para eleger um governador-tampão.
O grande receio da família Calheiros é deixar os nove últimos meses do governo, principalmente os anteriores ao período eleitoral, nas mãos de um adversário. Lira sabe disso. E dobrou a aposta contra a família do relator da CPI da Pandemia.
Nesta quarta-feira, 27 de outubro, ele afirmou do plenário da Câmara que, “ainda que graves sejam os fatos investigados, uma CPI não pode se converter em um instrumento inquisitorial de exceção, infenso ao controle e dotado de poderes exorbitantes ou ilimitados”.
Lira se referia ao indiciamento de deputados. Segundo ele, “senadores e deputados (…) têm a liberdade de expressar sua opinião e por elas não podem ser indiciados”.
A avaliação de Calheiros é que Lira tenta estimular o espírito de corpo político contra ele com vistas a disputa do ano que vem, na esperança de tomar de sua família os últimos nove meses de governo de Alagoas.

