CPI da Pandemia desiste do terceiro depoimento do ministro da Saúde

Publicada em 13/10/2021 às 10:25
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O grupo majoritário da CPI da Pandemia desistiu de convocar pela terceira vez o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Seu depoimento estava marcado para segunda-feira, dia 18 de outubro, mas foi cancelado depois da avaliação de que não valeria o risco de transformar a última oitiva da CPI em palanque para pautas negacionistas.

No lugar do ministro da Saúde, os senadores pretendem levar para a CPI o pneumologista Carlos Carvalho, que coordenou estudo contrário ao uso dos medicamentos do chamado “kit covid” da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.

No mesmo dia, vão ser ouvidos familiares de vítimas do uso da medicação sem comprovação científica para tratar a doença.

A desistência da convocação de Queiroga é uma vitória do governo e, sobretudo, do senador Fernando Bezerra, líder do governo no Senado, que trabalhou para evitar o retorno do ministro à CPI.

Entre os compromissos assumidos por Bezerra para dissuadir seus colegas na CPI foi a entrega de respostas por ofício do chefe da Saúde para perguntas enviadas há mais de 15 dias e ignoradas por Queiroga. A ausência de respostas foi um dos motivos alegados para a sua convocação.

Na sua conversa com Omar Aziz, Randolfe Rodrigues e Renan Calheiros, presidente, vice-presidente e relator da CPI respectivamente, Bezerra apontou o risco das respostas do ministro ocorrem em sentido contrário ao que esperam os senadores do grupo majoritário, por óbvio: Queiroga defenderia o governo.

Nenhuma das participações anteriores, disse Bezerra, a comissão conseguiu arrancar nenhuma resposta que implicasse o presidente Jair Bolsonaro.