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Google agiu em conluio com outras gigantes para protelar privacidade infantil, acusam procuradores

Brenno Grillo
Publicada em 24/10/2021 às 06:00

O Google agiu em conluio com outras gigantes de tecnologia para tentar protelar medidas governamentais que aumentariam a privacidade infantil na internet, acusam procuradores americanos. Eles se fundamentam em memorandos internos da empresa apresentados à Justiça de Nova York em ação movida por vários estados dos EUA contra a empresa por práticas anticompetitivas no mercado de publicidade online.

O processo é de conhecimento público, mas os documentos internos do Google estavam sob sigilo. O Bastidor teve acesso a eles com exclusividade no Brasil. Os memorandos mostram que representantes do Google, do Facebook e da Microsoft reuniram-se em 6 de agosto de 2019 a portas fechadas para debater soluções. Na pauta da reunião, divulgada antecipadamente aos participantes em 31 de julho daquele ano, o Google afirma que o grupo "tem sido bem sucedido em desacelerar e adiar a tramitação da regulação da privacidade na internet [pelo governo dos EUA] e tem trabalhado nos bastidores de mãos dadas com outras companhias".

Nesse mesmo documento, mostram os procuradores de Justiça estaduais, o Google afirma que a reunião servirá para que os concorrentes encontrem "pontos em comum, aparem arestas e definam prioridades sobre privacidade infantil e segurança". "Seja nesta reunião ou em outro encontro, nós queremos reforçar que essa é uma área muito importante que exige uma ação coordenada", afirmou o Google num memorando interno incluído no processo judicial.

Um dos entraves que também motivou a reunião foi a posição da Microsoft. A empresa fundada por Bill Gates "levava a privacidade infantil mais a sério", segundo as autoridades. Ken Walker, como mostram mensagens internas da empresa, foi o responsável por procurar o "alinhamento junto à Microsoft", mas seu objetivo era saber das movimentações da empresa em relação à privacidade para "obter o máximo de informação possível".

Outra empresa vista como entrave pelo Google foi o Facebook - seu parceiro em outras empreitadas anticoncorrenciais. De acordo com a subsidiária da Alphabet, havia uma certa "dificuldade em fazer o Facebook se alinhar aos nossos objetivos e estratégia, porque eles priorizaram convencer o Legislativo por meio da reputação, não do interesse mercadológico".

Segundo os documentos obtidos pelos procuradores, o Google desenvolveu um projeto chamado Privacy Sandbox, que, basicamente, "fechava o circuito" para os usuários da internet ao usar o monopólio da empresa com o intuito de coletar e cruzar dados para rastrear - à enésima potência - as informações das pessoas.

A invasão de privacidade era tamanha que, lembram as autoridades dos Estados Unidos, "reguladores de todo o mundo estavam cada vez mais preocupados com a capilaridade" que Google e outras Big Techs tinham para "rastrear consumidores". Os procuradores de Justiça dos estados afirmam que o Google tentava construir um "jardim murado" em volta da internet.

Esse "muro" seria levantado a partir do Google Chrome, navegador do buscador - que, destacam as autoridades, será alterado em 2022 para mudar os arquivos usados para coleta de informação e, assim, monopolizar mais ainda o mercado de anúncios online, como já mostrou o Bastidor.

A mudança fará com que os compradores de espaços publicitários não possam mais usar informações coletadas durante a navegação dos usuários para dar lances fora das ferramentas do Google. O Chrome foi escolhido como esteio da estratégia por ter quase 60% do mercado nos EUA.

A iniciativa Privacy Sandbox nada mais é do que uma evolução da tentativa anterior do Google de "fechar a internet" em seus domínios. Nomeada de Projeto Nera, a estratégia buscava controlar o tipo de espaço publicitário vendidos pelo site ao mesmo tempo em que forçava esses produtores de conteúdo a transacionar apenas em ambientes do buscador da Alphabet.

Um dos documentos apresentados no processo contém uma mensagem de um funcionário do Google descrevendo o Projeto Nera como um meio de "obter benefícios operando algo que a empresa não tinha posse" para "proteger nossas margens [de lucro e métricas]".

Os procuradores narram que o Google chegou ao ponto logar seus usuários no Chrome sem a anuência das pessoas. Os rebeldes que deslogavam seus perfis no navegador, de acordo com as autoridades, eram punidos com expulsão de plataformas de anúncio da empresa.

Porém, a limitação era oferecida aos vendedores de espaços publicitários como um meio mais simples de acessar informações que ajudariam a otimizar seus lucros. Em troca, o Google exigia que essas empresas usassem apenas sua plataforma.

"Para resumir, as mudanças trazidas pelo Google em nome da privacidade são uma armadilha do plano de longo prazo da empresa para obter vantagem. O Projeto Nera foi o primeiro esquema; mas, para distrair as crescentes atenções das autoridades sobre a privacidade e arquivos invasivos contra consumidores, o Google lançou o Privacy Sandbox, novo plano para murar a internet via o uso do Chrome", resumem os procuradores de Justiça estaduais.

E ainda complementam: "O Google apresenta ao público uma imagem de preocupação com a privacidade, mas, nos bastidores, o Google coordena, junto às Big Techs, o lobby no governo para atrasar ou destruir iniciativas que protegeriam os usuários".

A assessoria do Google enviou uma nota ao Bastidor em que reage às acusações dos procuradores. Eis a resposta:

“O fato de o procurador-geral do Texas dizer uma coisa não torna esta alegação necessariamente verdadeira. Entendemos que o processo está repleto de imprecisões. Na verdade, nossas ferramentas de publicidade ajudam sites e aplicativos a financiar seus conteúdos e permite que pequenos negócios alcancem seus clientes ao redor do mundo. Há uma forte competição no mercado de publicidade online, que tem reduzido as taxas de serviço das ad techs, e aumentado as opções para os anunciantes e publishers. Nós vamos continuar nos defendendo das alegações infundadas da Procuradoria na Justiça. 

Também temos sido claros sobre nosso apoio a regras de privacidade de forma consistente, em todo o mundo. Há anos, por exemplo, pedimos ao Congresso dos Estados Unidos que aprove uma legislação federal de privacidade de dados."

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