Duda e os milhões da Odebrecht para a família de Baleia

Diego Escosteguy
Publicada em 28/01/2021 às 19:28
Foto: Folhapress

O publicitário Duda Mendonça, que fechou delação com a Polícia Federal, ainda aguarda ser convocado pelo Ministério Público para detalhar o acerto com a Odebrecht que, segundo o marqueteiro, beneficiou uma empresa da família de Baleia Rossi.

O ministro Edson Fachin, que homologou o acordo, enviou os termos para investigação na Justiça Eleitoral de São Paulo, mas ninguém chamou Duda para depor até agora.

Em delação, o publicitário disse que, nas eleições de 2014, Paulo Skaf "insistiu" para que ele contratasse a Ilha Produções, empresa fundada por Baleia Rossi e que, à época dos fatos, tinha como sócios a mulher e o irmão do hoje candidato a presidente da Câmara. Skaf, que segue como presidente da Fiesp, foi candidato do MDB ao governo de São Paulo; Duda era seu marqueteiro.

O publicitário topou a contragosto, após Skaf dizer que se tratava de uma demanda do MDB. A Odebrecht aceitou pagar parte da conta da campanha de Skaf, a pedido de Michel Temer - o ex-presidente lidera o grupo político do qual Baleia faz parte. Duda afirmou que Paulo Rossi, irmão de Baleia e diretor da Ilha Produções, teve preferência para receber os valores devidos.

Duda acertou com um operador da Odebrecht que Palu, como é conhecido Paulo, receberia R$ 4 milhões da cota da empreiteira - a operação de socorro a Skaf foi avalizada por Marcelo Odebrecht.

Investigações subsequentes da PF encontraram fortes evidências de que Palu recebeu ao menos R$ 1 milhão da Odebrecht em dinheiro vivo, na campanha de 2014. A PF cruzou o sistema de propina da Odebrecht e extratos de mensagens entre doleiros com os registros de hospedagem de um hotel em que o dinheiro foi entregue.

Duda não sabe qual o destino final do dinheiro direcionado à empresa da família de Baleia. A mesma Ilha Produções recebeu dinheiro da JBS - segundo Joesley Batista, um pedido político do grupo de Temer.

A empresa da família de Baleia já afirmou diversas vezes ter prestado serviços e negou quaisquer ilegalidades, a exemplo dos demais envolvidos.