O plano de recuperação judicial da Odebrecht Engenharia (OEC) prevê que o BTG aporte até 120 milhões de dólares para melhorar a situação financeira da empresa, que soma 4,6 bilhões de dólares em dívidas. O projeto de reestruturação da empreiteira foi apresentado às 23h de segunda-feira (9) à Justiça de São Paulo e tem o banco de André Esteves como financiador âncora, ou seja, o principal mantenedor da viabilidade da companhia.

O documento foi redigido pela administradora judicial da OEC, a AJ Ruiz, comandada pela advogada Joice Ruiz, nomeada a jato para o caso pelo juiz Paulo Furtado, da 2ª Vara de Recuperação Judicial e Falências de São Paulo. O processo envolvendo a empreiteira é o maior já gerido por Ruiz – que terceirizou o trabalho para outro escritório de advocacia.

BTG, Ruiz, Furtado e Odebrecht têm em comum a TMA (Turnaround Management Association), entidade criada nos Estados Unidos em 1988 e que chegou ao Brasil no fim dos anos 2000. A organização presente em diversos países se apresenta como uma rede de contatos profissionais.

No Brasil, a TMA se propõe a ser um centro de debates para quem trabalha com recuperação judicial e falência. Mas essa designação principal não impede a entidade de reunir advogados, contadores, administradores e juízes.

O BTG é o principal patrocinador da TMA e emplaca seus sócios e funcionários em eventos da entidade. O banco de André Esteves é representado oficialmente na organização por Alexandre Camara. Ele é responsável pela “área de Special Situations” da instituição financeira, da qual é sócio desde 2008.

Joice Ruiz é vice-presidente da TMA. Paulo Furtado costuma palestrar em eventos da entidade, alguns deles ao lado da advogada. Há ainda o advogado Eduardo Munhoz, um dos representantes judiciais da empreiteira, que costuma palestrar e dar entrevistas à organização setorial.

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