O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu uma nova frente de pressão ao propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (1º) pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que concluiu uma investigação iniciada em 2025 sobre práticas brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses americanos.

Embora ainda dependa de consulta pública, a proposta amplia o endurecimento da Casa Branca em relação ao governo Lula. A medida é anunciada menos de uma semana depois de o Departamento de Estado anunciar a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na classificação de organizações terroristas estrangeiras, logo depois de Trump receber o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL.

No documento, o USTR afirma que parte das práticas investigadas é “acionável” sob a Seção 301 da legislação comercial americana, mecanismo que autoriza a adoção de medidas retaliatórias contra parceiros comerciais.

O relatório reúne críticas que vão além da agenda comercial. O governo americano acusa o Brasil de favorecer o Pix em detrimento de empresas estrangeiras de pagamentos, questiona decisões judiciais que determinaram a remoção de conteúdo por plataformas digitais americanas, aponta um enfraquecimento do combate à corrupção após reveses da Lava Jato e critica a demora na análise de patentes.

O documento também contesta tarifas brasileiras sobre o etanol americano, acordos comerciais que concedem vantagens a México e Índia e falhas no combate ao desmatamento ilegal.

Em nota, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a investigação foi aberta a pedido de Trump para tratar de “preocupações antigas e generalizadas” dos Estados Unidos com políticas e práticas brasileiras. Segundo ele, houve diversas reuniões com o governo Lula ao longo do último ano, intensificadas nas últimas semanas, mas persistem “divergências substanciais” entre os dois países.

A proposta prevê uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas mantém uma lista de exceções que inclui aeronaves civis e componentes, minerais estratégicos, matérias-primas consideradas críticas e parte da pauta agrícola exportadora, como café, suco de laranja, castanhas e cacau.

O período de consulta pública vai até julho. A decisão não está diretamente relacionada à classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. Mas essa mudança amplia os poderes do governo americano para adotar retaliações contra empresas e o sistema financeiro brasileiro.

Leia a íntegra da decisão do USTR: