O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou, nesta segunda-feira (29), um empréstimo de 1,13 bilhão de reais para a Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN, de propriedade de Benjamin Steinbruch.

Steinbruch é próximo do presidente do BNDES, Aloizo Mercadante. A relação entre os dois é pública e se estende desde dos outros mandatos de Lula. Foi Mercadante quem estreitou o contato entre a Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, e o grupo CSN, em meio à discussão para privatização da Vale em 2002.

A afinidade se alastra também para os filhos dos amigos. O filho de Mercadante, Pedro Oliva, é diretor financeiro e de relação com investidores na CSN. Além disso, ele é sócio de Victória Steinbruch, filha do empresário, na Companhia Brasileira de Serviços de Infraestrutura (CBSI), ligada à CSN.

Para nomear Mercadante para o BNDES, Lula driblou a Lei das Estatais. Ela proíbe que o comando de uma estatal seja presidido por quem integrou o quadro de qualquer partido político em menos de 36 meses. Mercadante é filiado ao PT. Em sua defesa em um processo movido pelo deputado federal Carlos Sampaio, do PSDB de São Paulo, os advogados do banco estatal usaram uma decisão de Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, hoje ministro da Justiça de Lula, que suspendeu a lei para nomeações em estatais.

Cerca 600 milhões de reais do montante é reembolso pela reforma realizada pela CSN na Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Uma outra fatia de 500 milhões de reais será usada para compra de máquinas ‌e equipamentos. Entretanto, o BNDES não informou os critérios, as taxas de juros e os prazos para o pagamento do empréstimo.

O financiamento ocorre em um momento de reestruturação da CSN, que executa um plano de sobrevida estimado em cerca de 8 bilhões de reais até 2028. A empresa nos últimos meses teve dificuldade em importar placas de aço para manter o ritmo de produção.

Em nota, o BNDES afirmou que Mercadante se declarou impedido e não participou das votações sobre o empréstimo a CSN. Disse ainda que o montante foi liberado por unanimidade pelos diretores do banco e pelo comitê de superintendentes composto por 23 servidores de carreira. Clique aqui para ler a íntegra.

O Bastidor entrou em contato com a CSN, mas não recebeu resposta até a publicação.

*nota atualizada às 7h33 para incluir a manifestação do BNDES