Faltou um desmentido direto da ameaça às eleições

Publicada em 22/07/2021 às 10:56
Foto: Futura Press/Folhapress

A nota oficial divulgada hoje, quinta-feira 22 de julho, pelo ministro da Defesa, não desmentiu enfaticamente a reportagem de O Estado de S.Paulo que relatou ameaça de não haver eleição se não for aprovado o voto impresso.

A interlocutores, o presidente da Câmara, Arthur Lira, disse que o tom da reportagem foi acima do recado recebido. Essas fontes comentaram que Lira quer evitar uma nova crise com as Forças Armadas como a que ocorreu no início de julho por causa das investigações da CPI da Pandemia.

Em 9 de julho, o Bastidor informou que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, teve de subir o tom para defender a Casa da pressão que sofreu de militares por causa de declarações do presidente da CPI da Pandemia.

Hoje, em cinco parágrafos, a nota divulgada pelo ministro da Defesa tangenciou a suposta ameaça revelada pela reportagem e defendeu o voto impresso, bandeira política do presidente Jair Bolsonaro e de seus apoiadores que procuram justificativa para rejeitar o resultado da eleição de 2022.

De acordo com o texto assinado pelo general Walter Braga Netto, “o Ministro da Defesa informa que não se comunica com os Presidentes dos Poderes, por meio de interlocutores”. Segundo a reportagem de O Estado de S.Paulo, o presidente da Câmara, Arthur Lira, recebeu um recado de Braga Netto em 8 de julho por meio de um interlocutor.  

O general Braga Netto, no penúltimo parágrafo da nota, afirmou: “Acredito que todo cidadão deseja a maior transparência e legitimidade no processo de escolha de seus representantes no Executivo e no Legislativo em todas as instâncias”.

No último parágrafo, o ministro da Defesa diz: “A discussão sobre o voto eletrônico auditável por meio de comprovante impresso é legítima, defendida pelo Governo Federal, e está sendo analisada pelo Parlamento brasileiro, a quem compete decidir sobre o tema”.

Lira publicou hoje dois textos no Twitter. Elogiou a escolha do senador Ciro Nogueira como ministro da Casa Civil ao afirmar que “as últimas decisões do governo foram pelo reconhecimento da política e da articulação como único meio de fazer o País avançar”.

No segundo texto, Lira afirmou que “a despeito do que sai ou não na imprensa, o fato é: o brasileiro quer vacina, quer trabalho e vai julgar seus representantes em outubro do ano que vem através do voto popular, secreto e soberano”. Ele não desmentiu diretamente o recado que teria recebido do interlocutor do ministro da Defesa.