Bolsonaro ataca distanciamento social

Publicada em 31/03/2021 às 11:44
Foto: iShoot/Folhapress

O presidente Jair Bolsonaro fez um gesto para agradar os presidentes da Câmara e do Senado ao criar um comitê contra a pandemia. O movimento era necessário para reduzir a irritação com o péssimo desempenho do Brasil, mas seus comentários depois da primeira reunião do comitê mostram que ele não quer mudar.

“Não é ficando em casa que nós vamos solucionar esse problema”, disse o presidente, contradizendo as recomendações de especialistas para que as pessoas reduzam os riscos de não terem atendimento hospitalar em pleno colapso do sistema de saúde em muitas cidades.   

Alguns apoiadores mais próximos também ouviram de Bolsonaro que ele gostou da repercussão das demissões do ministro da Defesa e dos comandantes militares. Ele citou a pergunta do presidente do STF, ministro Luiz Fux, ao general Fernando Azevedo e Silva, se sua saída significava risco de golpe. Bolsonaro riu e disse que sabem que só não há golpe porque ele não quer.

Bolsonaro provocou uma crise militar que não se via desde 1977, quando o presidente Ernesto Geisel demitiu o ministro do Exército, Sylvio Frota. Quem sabe o que aconteceu naqueles dias é o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da presidência. Quarenta e quatro anos atrás, ele era capitão e ajudante de ordens do general Frota.

O general Fernando Azevedo e Silva deixou o ministério da Defesa, mas deu seu recado. Na linguagem possível para a ocasião, afirmou que preservou as forças armadas como instituições de Estado.