André Mendonça não se licenciou da AGU para disputar vaga no STF

Brenno Grillo
Publicada em 21/09/2021 às 06:00
André Mendonça deixa a residência oficial do Senado, em Brasília, após reunião com Rodrigo Pacheco, em 2 de agosto. Ele estava acompanhado de Kassio Nunes Marques Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

André Mendonça não se licenciou da AGU para disputar uma vaga no STF. O ex-advogado-geral e ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro continua no cargo enquanto conversa com senadores em busca de apoios ao seu nome. Ele, que foi indicado em 13 de julho à cadeira deixada por Marco Aurélio, aguarda a data de sua sabatina na CCJ do Senado - se é que ela ainda acontecerá.

Mendonça tem um salário bruto de quase R$ 46 mil mensais. Após os descontos, esse valor cai para R$ 21,8 mil. É com esse estipêndio que o advogado da União contratou a FSB para assessorá-lo durante sua peregrinação em busca da cadeira prometida. 

A FSB, tradicional empresa de comunicação estratégica, já atendeu e atende diversos ministérios, em diferentes governos, além de agências reguladoras e da Petrobras. Também detém um amplo e poderoso portfólio privado. Ajuda a Huawei no lobby chinês do 5G. Michel Temer é um dos que colaboram na missão.

A indicação de Mendonça tem problemas desde o início, inclusive com resistências dentro do grupo que diz apoiá-lo - não é novidade para ninguém que Flavio Bolsonaro e Davi Alcolumbre preferem outros nomes.

A seu favor, o ex-AGU tem a promessa de Jair Bolsonaro em indicar um nome "terrivelmente evangélico" para o STF e o apoio de Silas Malafaia. Mas os últimos atos do presidente e do pastor mais atrapalham do que ajudam.

Malafaia desafiou Alexandre de Moraes a prendê-lo, chamou os ministros de tiranos, pediu "forças armadas já" no STF e participou com destaque dos atos antidemocráticos organizados pelos apoiadores do presidente da República.

Em nota ao Bastidor, Mendonça disse que a indicação "não trouxe alteração às suas entregas na AGU" e que tem mantido "normalmente sua rotina" presencial na instituição. Ele, inclusive, fez questão de enviar sua localização quando foi questionado pela reportagem para provar que estava no prédio da AGU.

No portal da transparência do governo, Mendonça consta como licenciado. A AGU, porém, negou que esse registro esteja correto.