Aliados de Bolsonaro começam a fritar Arthur Lira

Publicada em 17/09/2021 às 06:00
Foto: Futura Press/Folhapress

Apesar da lealdade de Arthur Lira para impedir o avanço de todos os pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro, aliados do presidente deram início à discussão sobre a possibilidade de viabilizar uma alternativa ao presidente da Câmara a partir de 2023.

A avaliação é que Lira passa longe do controle que diz ter sobre a Câmara, centraliza demais a articulação política ao ponto de até atrapalhar o governo e ser vingativo – ninguém esquece o que ele fez com a reforma tributária, que, apesar de pronta e com acordo para ser votada, foi engavetada porque o relator era Aguinaldo Ribeiro, que apoiou Baleia Rossi, seu adversário.

Outra reclamação frequente é a pouca atenção dada às reclamações de deputados do chamado baixo clero sobre as emendas do relator, as RP9, destinadas, segundo os insatisfeitos, aos “mais próximos do rei”.

Bolsonaro pertenceu ao baixo clero, que tem pouca expressão política, mas que, quando se junta, pode dar muito trabalho para o governo. Eduardo Cunha tinha o controle sobre essa massa heterogênea. O tema capaz de unir o baixo clero é dinheiro para manter seu mandato.

O próprio Flávio Bolsonaro foi inteirado das conversas e não se opôs. Além dele, a possibilidade de troca de Lira já esteve em roda de conversas de Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto e Michel Temer, que apoiou Baleia Rossi na disputa contra Arthur Lira no início do ano.