O apelido de André Mendonça no Supremo

Diego Escosteguy
Publicada em 14/04/2021 às 13:37
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

As tintas cada vez bíblicas da campanha do advogado-Geral da União, André Mendonça, a uma vaga no Supremo constrangem os ministros do tribunal. Reservadamente, alguns deles enxergam exagero e oportunismo na conduta de Mendonça. A tal ponto que o apelidaram, em mensagens privadas com assessores, de pastor-geral da União.

Durante o julgamento da semana passada sobre a proibição de missas e cultos presenciais, Mendonça usou trechos da Bíblia em sua sustentação oral ao defender a abertura das igrejas. Chegou a falar que “religiosos estão dispostos a morrer”. O governo perdeu. E, para os ministros, o AGU desceu ao patamar ideológico do ex-chanceler Ernesto Araújo. 

O discurso religioso de Mendonça visa a agradar o presidente Jair Bolsonaro e as lideranças evangélicas que podem influenciar a escolha do substituto do decano Marco Aurélio Mello. Apesar de ser apoiado pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro, o AGU não é o favorito à vaga. Como o Bastidor revelou mês passado, o principal candidato é Humberto Martins, presidente do Superior Tribunal de Justiça.