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Celso de Mello compara nota de Bolsonaro a pacto de Hitler

Diego Escosteguy
Publicada em 11/09/2021 às 02:33
Foto: Folhapress

Ao Bastidor, Celso de Mello comparou há pouco (início da madrugada de sábado) a “Declaração à Nação” de Bolsonaro ao pacto de Munique de Hitler. Cético, o decano aposentado suspeita que o compromisso do presidente possa revelar-se uma farsa, em razão da “personalidade autocrática” do presidente e da “comprovada disposição” dele em “ultrajar a Constituição e de ignorar os limites que a Carta Política impõe aos seus poderes”. 

O ex-presidente do Supremo alerta para o risco de se acreditar no teor da nota de Bolsonaro. Ele indaga: “A (nota) constituiria mero recurso estratégico de Bolsonaro para iludir, mediante conduta desqualificada e tisnada pela eiva da farsa , aqueles que, fieis à Constituição (como os Juízes do Supremo Tribunal Federal), buscam implementar o necessário convívio harmonioso entre os Poderes da República?”.

Diz Celso, que duvida “do valor e da sinceridade das palavras” do presidente: “Se Bolsonaro revelar infidelidade ao que pactuou, terá dado plena razão à advertência segundo a qual a História, quando se repete pela segunda vez, ocorre como farsa”. 

O decano alude ao risco de um golpe por parte “daqueles que nutrem visceral desapreço pelo regime das liberdades fundamentais e pelo texto da Constituição“. Segundo Celso, impõe-se a formação de amplo movimento “para resistir e frustrar qualquer subversão da ordem democrática (que traduz infame e desprezível ofensa à supremacia da Constituição)”.