Apesar de rumores, empresa israelense não consegue descriptografar o app Signal

Diego Escosteguy
Publicada em 16/12/2020 às 10:57
Reprodução da principal ferramenta da empresa israelense Foto: Cellebrite

Um post no blog da empresa israelense de cibersegurança Cellebrite está causando furor entre políticos, autoridades, investigadores e advogados brasileiros. Nele, em resumo, a empresa diz ser capaz de acessar mensagens trocadas no aplicativo Signal. (O post inicial, editado logo em seguida à publicação, e causa da confusão, dizia que a Cellebrite conseguia descriptografar o aplicativo.)

Hoje, o Signal é o aplicativo de troca de mensagens, ligações e videoconferência que melhor equilibra privacidade com facilidade de uso. O WhatsApp, embora use parte da criptografia aberta do Signal, mantém amplos registros sobre as comunicações - metadados como com quem o usuário falou, quando e por quanto tempo, por exemplo. Ademais, o WhatsApp pertence ao Facebook, cujo modelo de negócios depende da obtenção e monetização dos dados de seus usuários. O Signal é de graça e desenvolvido abertamente.

Ressalte-se que não existe um método de comunicação, digital ou off-line, 100% seguro e impenetrável. A privacidade das mensagens e da própria existência da troca das mensagens depende tanto da tecnologia empregada quanto do comportamento dos usuários dela.

Apesar da celeuma, a Cellebrite não detém - ao menos por enquanto - a capacidade de descriptografar comunicações no Signal ou mesmo no WhatsApp. O principal equipamento da empresa consegue extrair dados de um celular, especialmente se for Android, somente em caso de acesso físico ao aparelho.

Ainda assim, a Cellebrite (ainda) não consegue recuperar mensagens com "autodestruição" no Signal.

Os desenvolvimentos mais recentes permitem à Cellebrite periciar mensagens guardadas no Signal em algumas versões de celulares Android, conforme técnicos com conhecimento direto do fato.

A Cellebrite é, há anos, a principal parceira de procuradores e delegados brasileiros na extração e perícia de celulares apreendidos. A empresa israelense tem produtos de alto nível, mas está longe de ter a capacidade de descriptografar, em tempo real, mensagens e ligações trocadas em aplicativos como Signal - um tipo de tecnologia que, caso já exista, possivelmente está em poder somente de grandes agências de espionagem.