Time de Guedes sofre nova debandada

Publicada em 28/04/2021 às 06:00
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Uma segunda debandada ocorrida ontem na equipe do Ministério da Economia reflete a perda de poder de Paulo Guedes. Para Jair Bolsonaro, não existe mais o “Posto Ipiranga”. Em 28 meses de governo, as atitudes do presidente mostraram que era ficção a síntese de um conservador nos costumes, mas liberal na economia.   

O centrão continua pressionando para recriar os ministérios do Planejamento, do Trabalho e do Desenvolvimento e Comércio Exterior. Se necessário, talvez seja recriado o Ministério da Previdência.

O secretário Especial de Fazenda Waldery Rodrigues Júnior dá lugar a Bruno Funchal e o novo chefe do Tesouro é Jeferson Luís Bittencourt. Waldery recebeu convite para continuar como assessor de Guedes.

Ariosto Culau substitui George Soares na Secretaria de Orçamento. O economista Isaías Coelho ocupa o lugar que era de Vanessa Canado como assessora especial para reforma tributária. Há especulação sobre a saída da chefe do Programa de Parcerias de Investimentos Martha Seillier.

Alguns falam que a grave crise política da lei orçamentária deste ano foi o motivo das saídas de Waldery e Soares, mas o desgaste do secretário de Fazenda vinha desde setembro de 2020 quando Bolsonaro queria a demissão dele.

A crise do orçamento ou do “macaco apertando os botões do foguete”, como disse Guedes, tem muitos culpados em vários ministérios, no Palácio do Planalto e no Congresso. Não foi fácil tentar consertar o estrago da redução de despesas obrigatórias para acomodar emendas parlamentares.

A primeira debandada ocorreu em agosto de 2020, quando deixaram a equipe de Guedes os secretários de privatização, Salim Mattar, e de desburocratização, Paulo Uebel, muito mais próximos das ideias do ministro se comparados a Waldery e Soares. Naquela ocasião, o ministro aproveitou a saída deles para ressaltar que a debandada era consequência da dificuldade para aprovar as reformas.