A competência do banqueiro

Diego Escosteguy
Publicada em 14/01/2021 às 06:00
Foto: Folhapress

Pouca gente prestou atenção quando ele foi indicado à Presidência do Banco do Brasil, mas André Brandão não é um desconhecido em Brasília. Depôs à CPI do HSBC no Senado, em 2015, quando era presidente do banco. Causou ótima impressão no senador Ciro Nogueira, presidente do PP.

Os senadores investigavam a conexão brasileira do caso Swissleaks, que envolvia o uso potencialmente ilegal de contas secretas no HSBC da Suíça. Uma lista com dados dos correntistas fora roubada por um funcionário da unidade em Genebra e entregue às autoridades francesas. Havia 8.667 brasileiros na lista; muitos deles não haviam declarado as contas.

Brandão já era um alto executivo do HSBC no Brasil entre 2006 e 2007, época em que os brasileiros usavam os serviços do private banking da filial suíça num escritório sediado em São Paulo. Ele disse aos senadores não ter conhecimento desse fato nem da atuação agressiva dos executivos que tocavam diretamente esse setor. (Num período próximo e ainda mais longo, outras filiais do HSBC especializaram-se em lavar dinheiro do crime organizado, com destaque para cartéis mexicanos; o banco acabou pagando uma multa de US$ 1,9 bilhão ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos para resolver seus problemas.)

O depoimento na CPI do Senado foi o único dissabor público enfrentado por Brandão. Ele comandou, sem grandes dificuldades, a reação institucional do banco à crise provocada pelo Swissleaks.

Graças à competência única de Brandão, a CPI não deu em nada, assim como as demais investigações brasileiras - seja para os executivos do HSBC, seja para os correntistas de ativos não declarados e com movimentação suspeita. E, para completar, o Bradesco comprou as operações do HSBC no Brasil.