Vacinas: operadores do centrão tentam impedir rescisão de contratos

Diego Escosteguy
Publicada em 22/07/2021 às 06:00
Foto: Futura Press/Folhapress

Operadores dos centrão que participaram da negociação de venda das vacinas Covaxin e Sputnik ao Ministério da Saúde estão atuando em Brasília para tentar impedir a rescisão dos contratos. Técnicos da pasta insistem para que as compras sejam revogadas formalmente. Querem formalizar imediatamente os distratos.

Os dois contratos tiveram o mesmo corredor preferencial no ministério. Foram assinados por Roberto Ferreira Dias, então diretor de Logística da pasta, acusado de cobrar propina, com aval do coronel Elcio Franco, o militar que controlava diretamente as compras de vacinas.

Os contratos somam R$ 2,2 bilhões. Um deles, assinado com a Precisa Medicamentos, previa R$ 1,6 bilhão (US$ 300 milhões) para comprar 20 milhões de doses da indiana Covaxin, da Bharat Biotech. O outro, de R$ 693 milhões, foi fechado com a União Química. Estipulava 10 milhões de doses da russa Sputnik.

Como já era notório à época da assinatura dos contratos, entre fevereiro e março, não há perspectiva de aval sanitário para ambas as vacinas. A Anvisa aprovou apenas uma importação limitada de doses, com severas restrições.

Além das adversidades regulatórias, pesam as suspeitas de irregularidades nos contratos, especialmente no já conhecido caso da Covaxin.

Os técnicos do Ministério da Saúde preferem manter o esquema de vacinação atual, com doses da Pfizer, da AstraZeneca, da Janssen e da Coronavac. Caso seja possível, querem também um contrato com a americana Moderna - assim como a Pfizer, a Moderna usa a plataforma mRNA, mais avançada.

Os gestores do SUS, que já não eram fãs das duvidosas Covaxin e da Sputnik, esperam que o ambiente político desfavorável ao centrão na Saúde ofereça a oportunidade para rescindir contratos que, na visão deles, nunca deveriam ter sido assinados.

Os operadores do centrão estão tentando usar os mesmos canais da venda para adiar essa decisão - o contrato da Precisa está apenas suspenso; o da União Química segue em vigor, mesmo sem vacinas disponíveis. Essa turma recebeu promessas consideradas promissoras, sopesadas as circunstâncias. Foram informados de que, apesar das investigações, os contratos não serão rescindidos.

Ontem (quarta) à noite, os operadores ainda discutiam se poderiam ou não acreditar nas promessas. Estavam mais animados após as notícias de que Ciro Nogueira iria para a Casa Civil.