Técnicos da Anvisa estão no limite

Publicada em 03/05/2021 às 06:00
Antonio Barra Torres, o presidente da Anvisa Foto: Folhapress

Os servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária estão no limite. Após meses de trabalho intenso sob pressão política, jurídica, econômica e social, os técnicos que avaliam as vacinas a ser aplicadas no Brasil sentem-se sem forças, isolados e intimidados.

O ataque geopolítico do governo russo, fabricante da Sputnik, elevou a um nível intolerável o já extraordinário custo pessoal e institucional de manter uma postura de independência na análise das vacinas.

Há meses, apesar da aprovação dos imunizantes da Sinovac, da AstraZeneca, da Pfizer e da Johnson & Johnson, servidores e diretores enfrentam investidas do centrão, mudanças de legislação para esvaziar os poderes da agência, decisões do Supremo, declarações malcriadas de governadores e, fosse isso pouco, o lobby subterrâneo dos vendedores brasileiros da Sputnik e da indiana Covaxin.

Sem apoio político e institucional em Brasília, a Anvisa conta, hoje, apenas com a boa vontade social que pode conquistar por meio da transparência radical da agência na avaliação das vacinas.