Plano de Bolsonaro é desacreditar a CPI da Pandemia

Publicada em 29/04/2021 às 09:26
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Ciro Nogueira é da base do presidente Jair Bolsonaro no Senado, mas não é um dos autores do mandado de segurança levado ao STF para tirar Renan Calheiros definitivamente da relatoria da CPI da Pandemia. O plano do Palácio do Planalto foi usar outros três senadores para assinar o pedido que está com o ministro Ricardo Lewandowski. Nogueira será usado para reconstruir uma relação mínima com a comissão presidida por Omar Aziz.   

Os senadores bolsonaristas Marcos Rogério, Jorginho Mello e Eduardo Girão foram escolhidos como autores do mandado de segurança em que alegam o parentesco de Renan com o governador de Alagoas como impedimento para ser relator da CPI.

Na estratégia de Bolsonaro, o objetivo é consolidar a narrativa da falta de credibilidade no relatório que será produzido pela CPI. Segundo essa tática, Renan Calheiros, pai de Renan Filho, não tem isenção para apontar supostas irregularidades cometidas pelo governador de Alagoas. Pior, Renan é adversário político de Bolsonaro e já declarou publicamente que estará com Lula em 2022.

Bolsonaro sabe que é mínima a chance de Lewandowski afastar Renan, mas Ciro Nogueira, veterano do parlamento, ocupa papel central na tensa relação que terá de ser mantida com a comissão.

O plano de insistir na retirada de Renan da relatoria da CPI não teve apoio unânime dos conselheiros mais próximos de Bolsonaro. Alguns alertaram o presidente que é perda de tempo e, pior, pode provocar a revolta de senadores que se irritam com decisões judiciais que interferem na rotina da Casa.