A reunião pedida por Jair Bolsonaro com uma pequena comitiva do Supremo Tribunal Federal, que estava marcada para a tarde desta terça-feira (1º), serviria para trazer o presidente à realidade. Basicamente, os ministros da corte diriam: presidente, o senhor perdeu. Aceite a derrota.
A ida dos ministros ao Palácio da Alvorada – agora cancelada – serviria para criar um fato político que constrangesse Bolsonaro a ponto de o presidente ter que se posicionar. O encontro foi pedido por Bolsonaro ao decano do STF.
Coube a Gilmar organizar a comitiva, que seria composta por ele e os ministros Rosa Weber, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Uma fonte com ótimo trânsito no Supremo afirmou que, “fatalmente”, ficaria com Kassio o papel de mediador da reunião. Bolsonaro prometeu ao decano do Supremo, quando pediu a reunião, que falaria à nação após a conversa com os ministros da corte. Rosa e Fux não toparam.
O Bastidor já noticiou que Bolsonaro não se preparou para a derrota. O convencimento do presidente por parte de seus filhos e aliados garantiu o início de um rascunho de uma fala focada em fugir das responsabilidades e culpar outros pelo próprio fracasso.
Agora, sem o encontro, não se sabe se a fala à população acontecerá. O WhatsApp também influência nessa equação; em alguns grupos bolsonaristas, o pedido de reunião com ministros do Supremo foi interpretado como fraqueza.
Certo é que o silêncio de Bolsonaro incentiva a balbúrdia bolsonarista por todo o país. Sem uma fala do presidente, seus seguidores continuarão alimentando teorias conspiratórias sobre fraude eleitoral e intervenção militar.

