O discurso do presidente Lula de que não pretende trocar os ministros do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e dos Esportes, Ana Moser, não bate com as conversas que o governo mantém com lideranças do Centrão.
Embora não tenha feito nenhuma oferta explícita aos potenciais novos aliados, o presidente tampouco vetou qualquer negociação para aumentar a base governista no Congresso.
Além do Desenvolvimento Social e Esportes, o Centrão mira a Saúde, cogitou Educação e avança sobre a Caixa Econômica Federal e a Funasa.
O Bastidor noticiou que deputados do PT admitem que o partido deve perder espaço na Esplanada dos Ministérios para atender às bancadas do PP e do Republicanos, além do União Brasil.
Após as votações da reforma tributária e do projeto de lei que reestabelece o voto de qualidade do Carf, Lula reuniu deputados aliados e de partidos que se declaram independentes para uma foto oficial no Palácio do Alvorada. Participantes saíram de lá com a convicção de que terão mais espaço no governo.
Um deputado da base aliada disse ao Bastidor que Lula ajusta o discurso conforme a plateia. Na semana passada, em evento do programa Mais Médicos, ele reforçou que a ministra as Saúde, Nísia Trindade, não será trocada por ser uma escolha pessoal dele. A blindagem, no entanto, tem mais a ver com o tamanho do orçamento do ministério, que interessa ao governo e ao PT.
Em relação ao Desenvolvimento Social, responsável pelo Bolsa Família, o receio é entregar o programa que “é a cara do PT” a outro partido. Nos Esportes, tem o fato da titular da pasta ser mulher e substituí-la por um homem desagradaria parte da militância.
Nesta semana que vem, ao voltar da Europa, Lula se encontrará com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para continuar as negociações.

