Riscos sobre fraude na Global já eram conhecidos 17 dias antes da assinatura do contrato da Covaxin

Brenno Grillo
Publicada em 05/10/2021 às 10:00
Na época ainda não se sabia das irregularidades da Precisa Medicamentos e da Covaxin. Sobre a Global, o porém citado era o contrato para fornecimento e medicamentos de alto custo que não entregues e que colocaram Ricardo Barros contra a Anvisa. Foto: Reprodução/TCU

Os riscos de fraude na Global Gestão em Saúde foram tema de um acórdão publicado pelo TCU 17 dias antes da assinatura do contrato da Covaxin - em 25 de fevereiro deste ano. A empresa, alvo de operação da PF na última quinta-feira (30/9), faz parte da teia de companhias e laranjas que Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, usa para simular transações financeiras.

O caso julgado pelo TCU tratava dos R$ 40 milhões perdidos em 2015 pelo fundo de pensão dos Correios após aplicações no Fundo de Investimento em Participações (FIP) Saúde, que tinha apenas a Global como recebedora dos aportes. A corte destacou a existência de "dúvidas acerca do real valor das ações" da Global após a área técnica da corte de contas encontrar "indícios de fraude" na avaliação econômico-financeiro da empresa.

A análise dessas inconsistências mostrou como o dinheiro foi transferido até as empresas de Maximiano, que começaram a receber esses aportes após a administração do dinheiro ficar a cargo do BNY Mellon (Bank of New York Mellon). O banco foi alvo da operação Greenfield em 2020 por causa das perdas no Postalis.

À época, os agentes buscavam informações que ligassem José Carlos Lopes Xavier de Oliveira, ex-diretor-presidente da instituição às perdas do Postalis. Conhecido como Zeca Oliveira, o empresário é investigado pelos crimes de lavagem e fraude ao Sistema Financeiro Nacional.