Por que o STJ não consegue ser transparente sobre o ataque hacker

Diego Escosteguy
Publicada em 05/11/2020 às 17:03

Mesmo após as revelações de O Bastidor, a cúpula do Superior Tribunal de Justiça mantém o país no escuro acerca da extrema gravidade do ataque ramsomware, que criptografou os dados da corte. O silêncio explica-se, ao menos em parte, pelo medo que se apossou do corpo técnico do tribunal, assim como de seus funcionários terceirizados. Todos sabem que cabeças rolarão - e contratos com empresas de tecnologia, também.

Sob o ponto de vista técnico, o sucesso de um ataque desse tipo é inaceitável. Ele é resultado de um conjunto de erros estratégicos, cujas consequências agora se revelam potencialmente catastróficas.

Esses erros de procedimento têm responsáveis, dentro e fora do STJ. O problema, neste momento, é que os mesmos profissionais estão sendo cobrados a resolver o problema que criaram. Eles não têm incentivos para contar a verdade aos seus superiores e enfrentar a crise de frente.

A investigação da PF visa a identificar e capturar o hacker ou hackers que cometeram o crime. Mas cabe ao STJ criar uma sala de guerra para resolver a emergência e convocar uma auditoria independente para estabelecer o que aconteceu, de modo a responsabilizar quem errou e evitar a repetição de falhas semelhantes.

Por enquanto, há uma espécie de caos controlado: técnicos pressionados a resolver para ontem, mas sem coordenação, um problema complexo. Não está dando certo.