O mico de Dimon
O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, enfrenta um embaraço público em decorrência dos fatos revelados nos últimos dias no julgamento por fraudes da startup Frank, comprada pelo banco por 175 milhões de dólares. No centro da controvérsia está Charlie Javice, fundadora da Frank, acusada de fraudar o número real de usuários da empresa para viabilizar a venda. Testemunhas revelaram que Javice pediu a criação de uma base com 4 milhões de usuários, mais de dez vezes o número real, para convencer o banco a fechar o negócio. Deu certo.
O julgamento em Nova York expôs detalhes comprometedores para o JPMorgan e seu processo de due diligence, colocando em xeque a capacidade de uma das maiores instituições financeiras do mundo de identificar fraudes em aquisições. A compra da startup foi uma determinação de Dimon. Até o momento, os testemunhos apontam que Dimon ordenou a compra e a estrutura do banco correu para viabilizar a transação. A startup prometia facilitar o acesso de estudantes a linhas de crédito para estudos.
O engenheiro-chefe da startup, Alex Vovor, testemunhou que Javice pediu diretamente para que ele criasse dados falsos, mas ele se recusou, apesar das garantias de Javice de que não desejava acabar "usando um macacão laranja", em referência à prisão.
Sem sucesso com Vovor, Javice contratou então Adam Kapelner, professor de matemática do Queens College, para gerar uma lista sintética. Kapelner recebeu 18 mil dólares para criar um arquivo criptografado contendo milhões de nomes e contatos falsos, usando como base apenas os 300 mil usuários reais da startup. O arquivo foi enviado à Acxiom, empresa contratada pelo JPMorgan para validar a base de clientes, mas que não verificou a autenticidade dos dados, limitando-se apenas a confirmar o número de usuários.
Durante o julgamento, executivos do JPMorgan reconheceram que houve uma falha significativa na diligência prévia, com Jamie Dimon classificando publicamente a aquisição como um "enorme erro". Outras instituições financeiras, como o Capital One, haviam desistido de negociar com a Frank após detectar problemas na veracidade dos dados apresentados por Javice, o que aumenta a pressão sobre o JPMorgan para explicar por que avançou com o acordo.
Os promotores destacaram que Javice manipulou dados para obter ganhos financeiros significativos, enquanto a defesa argumenta que houve negligência e "arrependimento do comprador" por parte do JPMorgan após mudanças nas regras federais sobre auxílio estudantil, que prejudicaram a viabilidade do modelo de negócios da Frank. O caso segue em julgamento em Nova York e deverá ser decidido pelo júri nas próximas semanas.
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