Mudanças no IR vão exigir mais funcionários da Receita

Arnaldo Galvão
Publicada em 22/07/2021 às 09:00
Foto: Sérgio Lima/Folhapress

O pânico ainda não se instalou porque o Congresso está em recesso até 31 de julho, mas aumentam exponencialmente as preocupações das prestadoras de serviços com o aumento da carga tributária que pode inviabilizar empresas se for aprovado o projeto que muda as normas do imposto de renda.

O relator Celso Sabino, do PSDB, mantém a defesa do substitutivo que mudou o texto original da Receita Federal, mas a ameaça do aumento da carga tributária continua. Segundo a OAB, os tributos federais poderão comer 52,65% do lucro das prestadoras de serviços.

Se for aprovado como está, o substitutivo vai jogar as prestadoras de serviço no regime do lucro real, o que significa pagar mais tributos e arcar com um custo de administração de despesas muito maior que o atual, do lucro presumido.

Quem ganha com o regime do lucro real? A resposta fica cada vez mais clara: a Receita Federal. Quando uma empresa tem de explicar, despesa por despesa, porque teve um determinado gasto, é preciso contar com a análise de um auditor fiscal. Softwares, por melhores que sejam, não vão resolver.

Se prevalecer a hegemonia do regime de tributação do lucro real, ganha a conhecidíssima estratégia de valorizar a máquina da Receita. Abrem-se concursos públicos para contratar mais auditores e o ministro Paulo Guedes, defensor do Estado mínimo, vai acabar sendo o herói dos que defendem o Estado máximo. A Receita tem aproximadamente 24 mil funcionários na ativa.