Os casos de miocardite após a aplicação da vacina da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos de idade são extremamente raros nos Estados Unidos, de acordo com estudo realizado pelo Centro de Controle de Doenças (CDC). Segundo o levantamento, das 8,6 milhões de pessoas vacinadas neste grupo etário até agora, apenas 12 apresentaram essa reação. Ainda assim, não se sabe se esses 12 casos têm relação direta com a aplicação das vacinas. A pesquisa foi divulgada no dia 5 de janeiro. Leia a íntegra.
Os números refutam as teses de grupos antivacina brasileiros, que alardeiam supostos riscos da vacina pediátrica da Pfizer. Ela começará a ser distribuída no Brasil, nos próximos dias, para a mesma faixa etária.
O levantamento aponta que, das 12 crianças que apresentaram miocardite, oito são meninos. A idade média dos que tiveram essa reação é de 10 anos de idade. Oito dos afetados já tinham se recuperado completamente até a divulgação dos resultados, enquanto os demais estavam em tratamento.
Os dados de reações adversas foram obtidos a partir de um sistema em que os norte-americanos podem acessar e notificar as autoridades sobre algum tipo de problema que tiveram na vacinação. O CDC afirma que os números não sugerem causa e efeito, ou seja, repita-se, não dá para afirmar se os 12 casos estão diretamente ligados à vacina.
Médico desinforma
Os grupos antivacina brasileiros têm ouvido ultimamente os alarmes anticientíficos do médico norte-americano Robert Malone. O especialista foi um dos primeiros no mundo a pesquisar o RNA mensageiro, tecnologia usada pela Pfizer para a produção da vacina. Embora não tenha participado dos estudos posteriores sobre os imunizantes, ele divulga dezenas de vídeos pela internet, em que cita riscos inexistentes mediante dados fantasiosos ou distorcidos. Espalha desinformação perigosa à saúde pública.
No Brasil, a Anvisa já aprovou o uso das vacinas para crianças de 5 a 11 anos. Atestou a segurança e a eficácia do imunizante. A única diferença das doses é que elas possuem concentração menor do que as aplicadas em adolescentes e adultos.
A agência reforça que todos imunizantes liberados no Brasil são seguros. Além da Pfizer, é possível encontrar nos postos de saúde a Coronavac, a AstraZeneca e a Janssen.

