Bolsonaro teme maioria do MDB com Lula

Publicada em 29/04/2021 às 15:41
Foto: Futura Press/Folhapress

A atitude dos senadores Eduardo Braga e Renan Calheiros, do MDB, na CPI da Pandemia aumentou o temor de assessores de Jair Bolsonaro de o partido embarcar na candidatura do ex-presidente Lula na eleição do ano que vem.

Os responsáveis pela articulação do governo acreditam que as contundentes intervenções dos emedebistas podem ser uma resposta ao empenho de Bolsonaro na eleição de Arthur Lira para a presidência da Câmara e de Rodrigo Pacheco no Senado. Nas duas casas, eles derrotaram candidatos do MDB. Em 2019, o governo de Bolsonaro também apostou em Davi Alcolumbre contra Renan Calheiros.

Na eleição de Lira este ano, quem perdeu foi o presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi. A legenda tem a maior bancada do Senado e, por tradição, indicaria o presidente da mesa diretora, mas Rodrigo Pacheco, do DEM, teve claro apoio do Planalto e derrotou a emedebista Simone Tebet.

Preocupado com o potencial estrago que o MDB pode fazer nos planos da reeleição, o governo pediu empenho aos seus líderes Fernando Bezerra e Eduardo Gomes para manter o diálogo com a legenda. Bolsonaro também procurou o ex-presidente Michel Temer, muito próximo de Baleia Rossi.

O MDB é movido pelos interesses eleitorais regionais e não vai apoiar um candidato a presidente com toda a sua força política. O partido comanda 784 prefeituras e tem 7.335 vereadores espalhados por todas as regiões do Brasil. São três os governadores emedebistas: Helder Barbalho no Pará, Renan Filho em Alagoas e Ibaneis Rocha no Distrito Federal. A bancada na Câmara tem 34 deputados e a do Senado tem 15 integrantes. Além dessa importante rede de políticos, o MDB tem tempo de TV para dar força a uma campanha para presidente. Bolsonaro deve estar realmente preocupado.