Bolsonaro não tolera brilho no Planalto

Publicada em 23/07/2021 às 09:56
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O entusiasmo de caciques do PP com a conquista da Casa Civil vai colidir rapidamente com a realidade política do Palácio do Planalto. O presidente Jair Bolsonaro não admite autonomia de seus ministros.

Todos os auxiliares que tiveram brilho foram demitidos ou aceitaram a sombra do chefe do Executivo. Gustavo Bebianno e Sérgio Moro são dois exemplos. O poder de Paulo Guedes é decrescente a ponto de o apelido Posto Ipiranga perder o sentido.  

Os mais otimistas no PP acreditam que o governo está entrando em uma fase próxima do semipresidencialismo, repetindo os dois anos de Michel Temer. Nesse cenário hipotético, haveria estabilidade com Arthur Lira na presidência da Câmara e Ciro Nogueira conduziria os interesses da máquina do governo na Casa Civil e, ao mesmo tempo, teria influência sobre a agenda no Senado.

A realidade com Bolsonaro, porém, é outra. Experientes parlamentares alertam que a vida do governo no Senado não será fácil, apesar de Nogueira ter boa relação com os colegas. Quem manda na pauta é Rodrigo Pacheco, cuja candidatura a presidente já está sendo especulada há tempo.  

O Senado, portanto, tem ambiente mais hostil para Bolsonaro. Na Câmara, Lira comanda a agenda e tem ascendência sobre parte considerável dos deputados, o que é considerado positivo para o governo.