Análise: governadores devem explicações sobre Sputnik

Diego Escosteguy
Publicada em 29/04/2021 às 17:06
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Após quatro meses de seguidas parolagens, em que sobraram pressão política e faltaram evidências científicas, é inadmissível que políticos e gestores defendam o governo russo e ataquem a Anvisa. São esses governadores que, a esta altura, devem explicações.

É preciso dar cabo aos factoides do governo russo e da União Química. Esse assunto é gravíssimo e já foi longe demais. A empresa e os russos agem claramente de má fé. O leitor habitual do Bastidor conhece bem o assunto.

Há pouco, após mais ataques coordenados dos russos, da União Química e dos governadores, a Anvisa foi a público e apresentou alguns dos documentos enviados pelo governo de Putin. Eles demonstram os riscos de segurança da vacina. A agência reproduziu até trechos de videoconferência entre as duas partes, na qual o problema foi admitido pelos russos.

Se a União Química e o Instituto Gamaleya fornecerem dados brutos que satisfaçam as exigências sanitárias, ótimo. Mas, a cada factoide ou lambada, essa expectativa reduz-se. E já são meses disso.

Estamos falando de vidas e da saúde pública - não só do Brasil, aliás. As ações dos fabricantes e vendedores da Sputnik, assim como de seus aliados políticos, merecem a atenção da CPI da Pandemia e do Ministério Público.

Recomenda-se esquadrinhar cada CPF e CNPJ envolvidos nesses contratos. Incluindo o do Ministério da Saúde. Isso para começar. Já fizemos um roteiro para essa investigação.

O Brasil sofre com 400 mil mortos e um ritmo de vacinação lento. Se é para gastar tempo com a Sputnik, as autoridades deveriam escolher o ângulo mais produtivo.