A nova proposta do PP a Bolsonaro

Diego Escosteguy
Publicada em 07/10/2021 às 06:00
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Avançaram as negociações para que Bolsonaro se filie ao PP para concorrer à reeleição. O presidente disse a interlocutores ter gostado da oferta mais recente dos chefes do partido.

Pelos termos dela, Bolsonaro não poderia indicar os presidentes estaduais da legenda nem teria poder para nomear a Executiva da sigla - ou seja, não teria controle sobre uma máquina que, em verdade, já possui donos demais.

Em contrapartida, teria liberdade para direcionar os investimentos do PP em candidatos de sua preferência, sejam deputados, sejam senadores, sejam governadores. Teria, portanto, influência decisiva no fundo partidário e eleitoral da sigla.

Influência não significa dar ordens. E aí entra a dificuldade para que as duas partes fechem negócio. Os chefes do PP conhecem bem Bolsonaro e seu temperamento. Não querem contratar uma confusão; querem filiar um presidente que avaliam ter chances de ser reeleito. Se não for, resolve-se a questão logo depois das eleições. Até lá, ganham, em tese, ainda mais espaço no governo.

Para evitar atritos, Bolsonaro já começou a indicar seus candidatos favoritos em cada estado. Se a conta fechar, aumenta substancialmente a chance de que o presidente filie-se ao partido que, hoje, oferece-lhe mais apoio no Congresso.