Operador do PMDB recebeu R$ 1,7 milhão de esquema na Caixa

Diego Escosteguy
Publicada em 27/11/2020 às 09:48
O operador Milton Lyra. Foto: Zanone Fraissat/Folhapress.

Milton Lyra, o operador do PMDB do Senado que se tornou cliente VIP de procuradores e delegados, está metido no esquema descoberto pela Receita e pela Polícia Federal na corretora de seguros Wiz, ligada à Caixa.

Um dos integrantes do esquema resolveu delatar os demais após ser alvo da PF. Trata-se do advogado Luiz Carlos Claro. O escritório dele servia como lavanderia de dinheiro desviado da Wiz - corretora criada pela turma da Caixa, e beneficiada pelo banco, no tempos em que o consórcio entre PT e PMDB mandava na estatal, ainda nos mandatos de Dilma Rousseff.

Em sua delação, Luiz Carlos Claro afirma que Milton Lyra frequentou seu escritório e buscou, em duas oportunidades, ainda em 2014, o R$ 1,7 milhão - tudo sempre em dinheiro vivo, obtido polo grupo com doleiros que atuam na rua 25 de março, em São Paulo.

Nessas e em outras ocasiões, Lyra disse, segundo o depoimento do advogado delator, que o dinheiro desviado iria para políticos do PMDB, como Renan Calheiros, Romero Jucá e Eduardo Cunha.

De fato, esse era o modus operandi de Lyra, como demonstram outras investigações.

A PF e o Ministério Público, porém, optaram por não perseguir esse caminho de investigação neste momento, centrando-se na gestão fraudulenta da corretora e nas ilegalidades cometidas pelos dirigentes da Caixa.

A juíza federal que supervisiona a operação, Michelle Mickelberg, seguiu precedente do ministro Dias Toffoli e, como a citação a Renan é indireta, decidiu não ser o caso de remeter os autos ao Supremo.

Milton Lyra, portanto, não é formalmente investigado nesse caso.