A Polícia Federal rejeitou uma nova proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. É a segunda vez que o órgão descarta um acordo com o banqueiro. A recusa já foi comunicada à defesa de Vorcaro e ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
Na primeira versão, como mostrou o Bastidor, Vorcaro omitiu, por exemplo, que pagou mesada de 300 mil e 500 mil reais ao senador Ciro Nogueira, não revelou seus contatos com o senador Flávio Bolsonaro e sua contribuição para o filme “Dark Horse”, nem seus encontros com o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. Os episódios foram descobertos pela PF.
A PF considerou à época que a proposta continha omissões e carecia de esclarecimentos sobre novos elementos para a investigação.
Vorcaro está preso desde março, em decorrência da Operação Compliance Zero. Em meio às negociações para delação com a PF e com a Procuradoria-Geral da República, o advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, deixou a defesa do banqueiro.
Como mostrou o Bastidor, os investigadores exigem de Vorcaro a devolução de, no mínimo, 60 bilhões de reais como condição para fechar o acordo. Outro desejo da Polícia Federal era que Vorcaro fosse obrigado a revelar onde está o restante do seu patrimônio, para que seja usado como forma de ressarcimento aos cofres públicos. Há suspeita de que parte dos ativos de Vorcaro esteja em carteiras de criptomoedas, em paraísos fiscais no exterior, em imóveis e obras de arte ainda desconhecidos. Tudo isso está em suspenso.
A PGR ainda não se manifestou sobre a segunda proposta do banqueiro.

