O senador Flávio Bolsonaro pediu ao dono do banco Master, Daniel Vorcaro, 24 milhões de dólares, algo em torno de 134 milhões de reais, para bancar a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os áudios com as cobranças foram divulgados nesta quarta-feira (13) pelo site The Intercept Brasil. Em nota, o pré-candidato à Presidência confirmou a autenticidade dos áudios.

De acordo com a reportagem, ao menos 10,6 milhões de dólares foram pagos entre fevereiro e maio de 2025. Os recursos foram destinados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos. Parte dos pagamentos foi feita por meio de uma empresa chamada Entre Investimentos e Participações.

Uma mensagem de Vorcaro ao seu cunhado, Fabiano Zettel, que também está preso, em janeiro de 2025, diz que os pagamentos para o filme “não pode (sic) falhar mais”.

As negociações envolveram Flávio Bolsonaro, o deputado federal Mario Frias e o empresário Thiago Miranda, que foi o responsável por colocar Flávio e Vorcaro em contato. Miranda é dono da agência Mithi e, de acordo com a Polícia Federal, foi contratado por Vorcaro para coordenar uma campanha de difamação online do Banco Central pouco antes da intervenção no Master.

Em um dos áudios, de 8 de setembro de 2025, Flávio diz a Vorcaro que “eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”. Cinco dias antes, o Banco Central havia barrado a compra do Master pelo BRB.

No dia 22 de outubro, Flávio diz a Vorcaro que estavam “no limite” em relação ao filme. O senador chegou a convidar banqueiro para um jantar com o ator que fazia o papel de Bolsonaro no filme, Jim Caviezel. Vorcaro aceitou e sugeriu que o encontro ocorresse em sua casa.

No dia 16 de novembro, um dia antes da primeira prisão de Vorcaro, Flávio mandou a seguinte mensagem a Vorcaro: “irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Mais cedo, Flávio Bolsonaro havia dito ao Intercept que a história era mentirosa. Após, a publicação, admitiu e divulgou uma nota, na qual afirma que “é preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet.”

A estreia do filme “Dark Horse” está prevista para 11 de setembro.

Leia a íntegra da nota de Flávio Bolsonaro:

Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.