A Polícia Federal deflagrou a operação Exchange nesta sexta-feira (3) contra dois suspeitos de ligação com o PCC sancionados pelo governo dos Estados Unidos na quarta-feira. Foi presa a secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que trabalhava com o empresário Victor Henrique Oliveira Shimada, suspeita de lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas. Shimada segue foragido.
O juiz Paulo Cezar Duran, da 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo, autorizou o cumprimento de 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. A decisão também determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos até 10,4 bilhões de reais dos investigados e de 73 empresas usadas no esquema. As investigações apontam que o grupo de Shimada lavava dinheiro do tráfico também em Portugal, Paraguai e Argentina.
A inclusão dos nomes de Shimada e Stella na lista de sanções do Tesouro dos EUA é a primeira medida tomada desde que o governo norte-americano incluiu o PCC e o CV (Comandao Vermelho) na lista de organizações terroristas, no início de junho.
O processo nos EUA que resultou nas sanções contra Shimada e Stella tramita em um tribunal de Miami. O esquema descrito pelas autoridades norte-americanas cita que cinco brasileiros em situação migratória ilegal em Orlando que atuavam como operadores financeiros. Um dos condenados, o brasileiro Tadeu Sebastiane Rabelo Alves Barbosa, confirmou no tribunal que fez depósitos nas contas de Shimada e de Stella.
Segundo o tribunal de Miami, Shimada e Stella recebiam dinheiro em espécie e depositavam em contas bancárias abertas em pelo menos 12 cidades dos Estados Unidos, entre elas Miami, Chicago, Atlanta, Houston, Los Angeles e Denver. Na decisão do juiz Paulo Duran desta sexta-feira (3), essas mesmas cidades aparecem na planilha de controle de valores atribuída a Shimada.
A investigação começou a partir de uma comunicação da Homeland Security Investigations (HSI), órgão de segurança interna dos Estados Unidos, que alertou a Polícia Federal sobre uma rede brasileira de lavagem de dinheiro ligada ao narcotráfico. Os primeiros indícios apareceram após a apreensão do celular de Ygor Fokin Saviolli, preso em outubro de 2023 no aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida. Na perícia, a PF encontrou mensagens sobre venda de haxixe e uso de criptoativos para lavagem de dinheiro.
De acordo com a decisão, Shimada e Saviolli comandavam a organização por meio das empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia, alvo de sanção do governo Trump, e Hi Quality Importação Comércio e Distribuição, usada para movimentar o dinheiro do tráfico. As duas empresas, sem funcionários registrados, movimentaram mais de 48 bilhões de reais.
A PF aponta que Amauri Henrique de Oliveira, tio de Shimada, e sua filha, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, atuaram no transporte de dinheiro em espécie do tráfico no Brasil e no envio das quantias para o exterior, com operações registradas em Lisboa. A investigação indica que Stella era responsável por gerir planilhas financeiras do grupo e operava criptoativos em nome de Shimada.
Em conversas interceptadas pela PF, Romany Cutolo Bonente, advogado e operador financeiro do esquema, afirma a Shimada que precisava pagar 100 mil reais a um ex-diretor do Deic, o Departamento Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil de São Paulo, identificado nas mensagens como “Fabio Caipira do Deic”. Segundo a PF, o delegado é Fabio Pinheiro Lopes, afastado do cargo após ser citado na delação de Antônio Vinicius Gritzbach, morto pelo PCC ao sair do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
A decisão também registra que, em janeiro deste ano, o FBI deflagrou operação nos Estados Unidos que resultou na prisão de integrantes do mesmo grupo, incluindo Saviolli, por suspeita de conspiração para lavagem de dezenas de milhões de dólares ligados ao tráfico de drogas.
O Bastidor tenta contato com as defesas de Shimada e Stella.

