O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro foi alvo de nova operação da Polícia Federal nesta terça-feira (26), por aportes de 3,69 bilhões de reais da Rioprevidência no Banco Master, de Daniel Vorcaro, entre 2023 e 2024. A oitava fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, após pedido da PF, que apontou risco de perda de provas e um conjunto “robusto’ de indícios da prática de crimes contra o sistema financeiro, corrupção e lavagem de dinheiro.
Durante a gestão de Castro no governo do Rio, a Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores do estado investiu dinheiro em títulos do Banco Master. O que a PF sustenta é que Castro foi determinante para a Rioprevidência investir dinheiro das aposentadorias de funcionário públicos no Master.
Mencionada na decisão de Mendonça, a representação da PF aponta “sincronismo” entre os aportes do RioPrevidência no Master e diversos encontros privados entre Castro e Vorcaro, pagos pelo banqueiro, inclusive no exterior. A PF afirma que Castro trocou dirigentes do fundo de pensão que, em seguida, passaram a agir em favor do Master e desrespeitando a política interna e normas de prudência. Um caso concreto citado é o credenciamento do Master junto à RioPrevidência, pedido no mesmo dia que Eucherio Lerner, alvo de outra operação da PF, tomou posse como diretor de Investimentos nomeado por Castro. A PF identificou também que, sob a gestão dos indicados por Castro, a Rioprevidência passou a desrespeitar pareceres técnicos e do Tribunal de Contas do Estado para investir no Master.
Para o ministro André Mendonça, o sincronismo das ações “afasta a hipótese de coincidência temporal”. Isso é reforçado por mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela PF que indicam que os aportes da autarquia no Master dependiam de “alinhamento político” com o ex-governador.
Ricardo Siqueira Rodrigues, descrito pela PF como lobista do Master, foi remunerado pelo banco para captar recursos de fundos de previdência, principalmente, da RioPrevidência. A taxa ajustada era de 0,6% sobre cada real aportado pelo Regime Próprio de Previdência Social, o RPPS, no banco. Os pagamentos eram recebidos por meio da empresa Mídias Promotora Ltda.
Uma parte dos investimentos no Master ocorreu na gestão de Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do RioPrevidência. Antunes foi preso pela Polícia Federal em fevereiro, na Operação Barco de Papel, que já investigava os aportes bilionários no banco de Vorcaro.
A defesa de Castro não quis se manifestar.

