A Polícia Federal quer que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, devolva 60 bilhões de reais para celebrar um acordo de delação premiada, de acordo com uma fonte que trabalha no caso. O valor é 50% maior que os 40 bilhões de reais que Vorcaro está disposto a pagar em dez anos, de acordo com informações publicadas.

A defesa de Vorcaro negocia um acordo de colaboração com a PF e a Procuradoria-Geral da República. Como é usual, acordos do tipo envolvem não apenas que o delator colabore com informações para elucidar crimes, mas também devolva o valor correspondente ao prejuízo causado, acrescido de multa.

De acordo com cálculos preliminares realizados pela equipe de investigação do caso Master, os 60 bilhões de reais estão mais próximos dos prejuízos causados. Os custos da quebra do Master para o sistema financeiro superam 57 bilhões de reais, segundo levantamento publicado pelo jornal Folha de S. Paulo. Só o ressarcimento aos clientes pelo Fundo Garantidor de Créditos está estimado em 52,8 bilhões de reais: 40,6 bilhões referentes ao Master, 6,3 bilhões do Will Bank e 5,9 bilhões do Banco Pleno, ex-Voiter, que já pertenceu ao grupo de Vorcaro.

O cálculo da PF soma a esses 52,8 bilhões de reais o prejuízo calculado em 8 bilhões de reais nos negócios entre o Master e o BRB. O BRB comprou cerca de 16 bilhões de reais em ativos e carteiras do Master entre julho de 2024 e a liquidação em novembro de 2025. Desse total, mais de 12 bilhões foram aplicados em carteiras de crédito inexistentes ou sem lastro. Em março, o presidente do BRB, Nelson Souza, estimou esse prejuízo em 8 bilhões de reais.

Além da venda ao BRB, entram no cálculo as perdas causadas por contratos de institutos de previdência estaduais com o Master. Três fundos foram prejudicados: a RioPrevidência, do Rio de Janeiro, que investiu 960 milhões de reais em letras financeiras do banco — o maior aporte entre os três, a Amprev, do Amapá, com 400 milhões de reais, e a AmazonPrev, do Amazonas, com 50 milhões de reais.

De acordo com informações publicadas por diversos órgãos de imprensa, Vorcaro concordou em pagar 40 bilhões de reais em dez anos como ressarcimento pelos danos causados pela venda de carteiras podres do Master ao BRB, prejuízos aos fundos de pensão, e as perdas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mantido por bancos.

A Polícia Federal quer também que Daniel Vorcaro seja obrigado a revelar onde está o restante do seu patrimônio, para que seja usado como forma de ressarcimento aos cofres públicos. Há suspeita, segundo pessoa próxima ao caso, de que grande parte dos ativos de Vorcaro esteja em carteiras de criptomoedas, em paraísos fiscais no exterior, em imóveis e obras de arte.

Procurada pelo Bastidor, a defesa de Vorcaro preferiu não se manifestar.