Líder nas pesquisas para o governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho, do Republicanos, insiste em dizer que só decidirá se será ou não candidato após o final da Copa do Mundo, em 19 de julho. O ritmo de Cleitinho é um problema para o PL, que já fechou 23 chapas estaduais para as eleições, mas segue sem um candidato para dar palanque à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no segundo maior colégio eleitoral do país.

Cleitinho quer adiar sua decisão para a véspera do início da temporada das convenções partidárias, que começa no dia seguinte à final da Copa, em 20 de julho, e vai até 5 de agosto. Também coloca condições para entrar na disputa: quer o prefeito de Patos de Minas, Luis Eduardo Falcão, do Republicanos, como candidato a vice.

A posição do senador contrasta com o estágio das articulações eleitorais do PL. A indefinição trava etapas da montagem da chapa majoritária e das negociações regionais, fundamentais para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O partido encomendou pesquisas sem o nome de Cleitinho, para testar outros possíveis candidatos. Oficialmente, o candidato do PL ao govenro de Minas é o empresário Flávio Roscoe.

A movimentação revela uma preocupação que dirigentes evitam verbalizar publicamente. Com menos de dois meses para as convenções, o PL precisa concluir a montagem de sua chapa em Minas e não pode depender exclusivamente de uma decisão seguidamente adiada.

A indefinição também encontra explicação dentro do próprio Republicanos. Apesar de ser um dos políticos mais populares do partido em Minas, Cleitinho mantém atuação independente e não ocupa posição de influência na estrutura partidária. Colegas dizem que o senador tem agenda própria, participa pouco das instâncias internas da sigla e não exerce papel relevante nas decisões nacionais.

O cenário ficou mais evidente após uma declaração recente do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira. Ao comentar as movimentações eleitorais do senador, Pereira afirmou que Cleitinho não sabe o que quer.

A relação entre os dois nunca foi próxima. Eles mal se conheciam antes de Cleitinho surgir como potencial candidato ao governo mineiro e demonstrar força eleitoral. O contato aumentou nos últimos meses, mas a relação ainda é distante.